Um Nilton Santos gelado para um time apático
A noite era fria no Rio de Janeiro, mas nada se comparou à frieza de um Botafogo que entrou em campo desligado, sem alma e sem o fogo que o nome carrega. Para os menos de oito mil fiéis da Estrela Solitária que enfrentaram o clima para apoiar o time, a recompensa foi um espetáculo de horrores. Em meros treze minutos, o placar já apontava 2 a 0 para o Athletico-PR, e as primeiras vaias, justas e doloridas, ecoavam pelo nosso templo.
O resultado final, um 3 a 2 enganoso, serve apenas para maquiar uma das atuações mais displicentes do ano. A reação, tardia e desesperada, só aumentou a sensação de frustração. Foi a crônica de um time que só percebeu que estava em um jogo quando a derrota já era praticamente certa. Um soco no estômago de quem vive e respira o Glorioso.
Treze minutos para destruir uma noite
Não houve tempo para estudo. O Athletico-PR não precisou de muito para expor a fragilidade de um time que parecia perdido em seu próprio estádio. Aos 10 minutos, o primeiro ato da tragédia. Numa jogada que deveria ser de desafogo, Medina, em uma falha grotesca e inexplicável, correu com a bola na direção da própria área, foi desarmado e assistiu ao caos. Gabriel Batista ainda operou um milagre no chute de Jadson, mas no rebote, João Cruz só teve o trabalho de empurrar para o gol vazio. Uma lambança coletiva com a assinatura do argentino.
O torcedor alvinegro ainda tentava entender o que havia acontecido quando, três minutos depois, veio o segundo golpe. Kauan Toledo, no meio de campo, perdeu uma bola de forma infantil para Dantas e ficou caído, pedindo uma falta que nunca existiu. Enquanto nosso jogador estava no chão, Viveros aproveitou o espaço e fuzilou para fazer o 2 a 0. Em 13 minutos, o jogo parecia ter acabado. Como descreveu o próprio técnico interino Rodrigo Bellão, um “efeito onda” que afogou qualquer esperança.
A escalação de Bellão e a ira da torcida
Sem poder contar com Warleson e Danilo, lesionados, e Arthur Cabral, suspenso, Rodrigo Bellão mandou a campo uma equipe que, no papel, buscava ter a bola. A escalação completa foi: Gabriel Batista; Vitinho, Ferraresi, Justino e Alex Telles; Allan, Medina, Edenilson e Montoro; Kauan Toledo e Danilo Pereira.
A escolha por Edenilson até pareceu acertada nos minutos iniciais, com o meia criando boas jogadas. Mas foi um lampejo. Logo a apatia tomou conta, e as falhas individuais começaram a brotar. Vitinho, em especial, teve uma noite para esquecer. Com cruzamentos errados e finalizações que mais pareciam tiros de meta, o lateral foi o principal alvo da impaciência da torcida, que não perdoou suas decisões equivocadas e o vaiou a cada toque na bola.
Antes mesmo dos 20 minutos, o canto de “vamos virar, Fogo” era mais um pedido de socorro do que um grito de incentivo. Na saída para o intervalo, a bronca foi generalizada. Ninguém foi poupado.
A reação que só serviu para iludir
No segundo tempo, o roteiro mudou, mas o sentimento de impotência continuou. O Botafogo até tentou, chegou mais ao ataque, mas esbarrou na falta de organização, no goleiro Santos e na trave, que parecia a 12ª jogadora do adversário. Faltou o principal: senso de urgência. Com dois gols de desvantagem, o time não conseguiu impor um abafa, não pressionou como deveria.
E quem não faz, leva. Em mais uma jogada de defesa passiva, Vargas fez o que quis pelo meio e serviu Viveros, que marcou o terceiro, selando o caixão alvinegro. Foi só então, com 3 a 0 no placar, que o time pareceu acordar. Santi Rodríguez, aproveitando uma sobra, diminuiu com um chute desviado. A Estrela Solitária, enfim, deu um sinal de vida.
Nos acréscimos, na base do abafa e do coração, Santi marcou de novo. O 3 a 2 no placar deu uma falsa esperança, mas era tarde. A reação foi um grito no deserto. Agora, o Glorioso se prepara para um clássico contra o Flamengo, e uma coisa é certa: com essa postura, o vexame é um destino provável. É preciso mudar. É preciso honrar essa camisa. Já!
Informações com base em reportagem do ge.globo.com.