O peso da Estrela Solitária: Cinco guerreiros a menos na batalha
Ser botafoguense é carregar uma cruz e uma coroa. É entender que a glória e a dor caminham de mãos dadas, e que cada partida é um capítulo de uma saga escrita com suor e lágrimas. Nesta segunda-feira (24), às 20h, quando o apito soar no nosso sagrado Estádio Nilton Santos, o Glorioso entrará em campo para a 24ª rodada do Campeonato Brasileiro com o coração pesado e o elenco remendado. O adversário é o perigoso Athletico-PR, mas nosso maior inimigo, mais uma vez, parece ser o destino. Cinco peças cruciais do nosso tabuleiro estão fora de combate.
A notícia cai como uma bomba em General Severiano, justamente em um momento de profunda instabilidade. A torcida alvinegra, que ainda lambe as feridas da eliminação na Sul-Americana, agora precisa lidar com um verdadeiro hospital de campanha. Não é apenas um desfalque, são cinco. Uma espinha dorsal inteira de ausências que testará a alma e a resiliência deste time e, principalmente, do novo comando técnico.
Um exército de baixas: a lista que preocupa a torcida
O desafio de Rodrigo Belão em sua estreia no Brasileirão como técnico interino já começa hercúleo. O sucessor de Franclim Carvalho não terá tempo para testes ou luxos. Ele precisará montar um quebra-cabeça com as peças que restaram. A lista de ausências é um soco no estômago do torcedor mais otimista:
- Arthur Cabral (Suspenso): Fora por cartão vermelho.
- Warleson (Lesionado): Corte profundo no queixo.
- Paulinho (Lesionado): Lesão muscular na coxa.
- Jordan Barrera (Lesionado): Torção no tornozelo.
- Kaio Pantaleão (Lesionado): Em recuperação de cirurgia no joelho.
Cada nome representa um golpe em um setor diferente do campo. Da referência no ataque ao guardião do nosso gol, passando por peças importantes na defesa e no meio-campo. É o Botafogo sendo Botafogo: quando pensamos que o desafio não pode ser maior, a vida nos mostra que pode.
A anatomia da dor: do cartão vermelho aos 15 pontos no queixo
Entender a dimensão do problema é olhar para cada caso com a atenção que merece. A ausência de Arthur Cabral é fruto de um momento de sangue quente. O atacante foi expulso na amarga derrota por 1 a 0 para o Vitória, no Barradão, e agora cumpre suspensão automática. Uma baixa sentida no poder de fogo do Glorioso, que precisará encontrar alternativas para furar a defesa do Furacão.
O caso mais recente e talvez o mais dramático é o do goleiro Warleson. Titular na fatídica partida contra o Cienciano, que selou nossa eliminação na Sul-Americana, ele foi um verdadeiro guerreiro. Em uma dividida, abriu o queixo e deixou o gramado ensanguentado, dando lugar a Gabriel Batista. O saldo da bravura? Assustadores 15 pontos no local. Uma imagem que simboliza a entrega, mas que nos custa um goleiro em um momento crucial.
A maré de azar não para por aí. O lateral-esquerdo Paulinho, peça fundamental no esquema tático, sofreu uma lesão no músculo adutor da coxa esquerda durante um treinamento. Aquele tipo de fatalidade que acontece longe dos holofotes, mas cujo impacto é sentido sob a luz dos refletores. Ele segue em recuperação, e sua ausência abre uma lacuna na ala.
Como se não bastasse, Jordan Barrera também se junta ao departamento médico. O jovem sofreu uma torção no tornozelo durante o clássico contra o Fluminense, no próprio Nilton Santos. Mais um jogador de meio-campo que fica de fora, limitando as opções de criação e combate para o técnico interino.
Por fim, temos o caso de Kaio Pantaleão, uma ausência de longa data que ainda dói. O volante passou por cirurgia no fim de 2025 após sofrer uma terrível ruptura do ligamento cruzado anterior (LCA) e do menisco do joelho esquerdo. A lesão aconteceu ainda na vitória heroica por 2 a 1 sobre o Bahia, em 1º de outubro, no nosso caldeirão. Sua recuperação é um processo lento e delicado, e sua força no meio-campo continua fazendo falta.
Batismo de fogo para o interino Rodrigo Belão
Se havia um cenário desafiador para a estreia de um técnico, Rodrigo Belão o encontrou. Sua primeira partida no comando do Fogão pelo Campeonato Brasileiro será um verdadeiro teste de fogo e de nervos. Com cinco desfalques de peso, ele terá a missão não apenas de buscar um resultado positivo contra um adversário qualificado, mas de reerguer o moral de um elenco combalido.
A saída de Franclim Carvalho abriu espaço para uma nova tentativa, uma nova esperança. Mas Belão assume o leme em meio à tempestade perfeita. Ele precisará mostrar mais do que conhecimento tático; precisará ser um psicólogo, um motivador, um líder capaz de extrair o máximo de cada jogador que vestir o manto alvinegro.
Para nós, fiéis da Estrela, resta apoiar. O Nilton Santos precisa pulsar como nunca. Cada um dos onze que entrarem em campo não estará sozinho. Carregarão a responsabilidade pelos ausentes e a esperança de milhões. É nesses momentos que a mística alvinegra se agiganta. Que os que estão em campo joguem por eles e por nós. Porque, no fim das contas, Botafogo é isso aí: sofrer com paixão e lutar até o último segundo.
Informações com base em reportagem do www.lance.com.br.