DANILO DESABAFA! Herói do jogo questiona técnico: ‘Me pegou de surpresa’

Autor do gol da vitória, Danilo Pereira não escondeu a surpresa ao ser substituído e mandou o recado: 'Não pedi pra sair, estava bem'.

Arthur Cabral e Danilo Pereira em Botafogo x Cienciano — Foto: André Durão

Uma Vitória com Gosto de Derrota e um Desabafo Sincero

A noite de quinta-feira no Estádio Nilton Santos foi a mais pura tradução do que é ser Botafogo. Vencemos, mas não levamos. Lutamos, mas caímos. E no meio do turbilhão de sentimentos, uma voz se levantou, não para criar polêmica, mas para expressar a mais pura e genuína perplexidade. A voz de Danilo Pereira, o autor do nosso gol, o nosso breve herói em uma noite de eliminação amarga na Sul-Americana.

O placar de 1 a 0 contra o Cienciano soou como um sussurro de esperança em meio ao barulho ensurdecedor do placar agregado de 6 a 2 que nos tirou da competição. E quem nos deu esse fio de esperança? Ele, Danilo Pereira. Em sua primeira partida como titular, o camisa 9 mostrava a que veio. Incomodando, lutando, e, finalmente, balançando as redes. Ele era a nossa melhor peça em campo. E então, o inexplicável aconteceu.

A placa da substituição subiu. Sai Danilo Pereira, entra Kadir. Naquele momento, o torcedor na arquibancada e em casa se perguntou: por quê? Cansaço? Lesão? A resposta veio do próprio atacante, na zona mista, e foi um soco no estômago da lógica.

“Não Pedi Para Sair, Estava Bem Fisicamente”

As palavras de Danilo ecoaram o sentimento de toda a torcida alvinegra. Ele não estava cansado. Ele não pediu para sair. A decisão foi puramente do técnico Rodrigo Bellão, e pegou nosso atacante, o melhor homem em campo, de total surpresa.

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“Me pegou de surpresa porque não tinha pedido para sair. Estava bem fisicamente. Estava causando uma confusão na defesa, mas foi a decisão do Bellão e eu respeito. Acho que foi uma opção do treinador, eu não pedi para sair, não”, desabafou o jogador.

É de rasgar a alma de qualquer botafoguense. O jogador que estava, nas suas próprias palavras, “causando uma confusão na defesa” adversária é retirado de campo. Justo ele, que jogava com uma garra que há tempos não se via, superando até mesmo uma lesão recente. Não podemos esquecer: antes do jogo de ida em Cusco, Danilo sofreu um pisão no pé e levou três pontos. Mesmo com dor, foi para o sacrifício e ficou no banco. Um guerreiro que, quando finalmente teve sua chance de brilhar, foi interrompido.

Um Guerreiro que a Estrela Solitária Abraçou

A trajetória de Danilo até aqui é curta, mas intensa. Antes da noite de ontem, ele havia atuado por apenas cinco minutos contra o Fluminense e entrado no segundo tempo da derrota para o Vitória. A partida contra o Cienciano era sua grande prova de fogo, sua primeira vez entre os onze titulares do Glorioso.

E ele não decepcionou. Marcou o gol, mostrou personalidade. Apesar da substituição controversa, o camisa 9 fez questão de mostrar profissionalismo e apoiar o comandante, mesmo que a decisão tenha sido estranha.

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“Foi um cara que conheci ontem. É um cara que estamos fechados com ele. Só depende da gente. Se vem alguém, deixo para diretoria. As ideias que ele passou funcionaram. Estamos com ele e só depende da gente. Estamos juntos do treinador”, afirmou, mostrando uma maturidade que nos enche de esperança.

Essa postura de fechar com o grupo, mesmo quando uma decisão individualmente o prejudica, é o tipo de caráter que queremos vestindo nosso manto sagrado. Danilo, em uma noite, mostrou mais do que futebol. Mostrou que entende o peso da Estrela Solitária no peito.

E Agora, Fogão? O Que Resta é o Brasileirão

A dura realidade se impõe. A eliminação na Sul-Americana se junta à queda precoce na Copa do Brasil, diante da Chapecoense, em maio. O calendário de 2026, que sonhávamos recheado de decisões, agora se resume a uma única e longa batalha: o Campeonato Brasileiro.

O próprio Danilo Pereira traçou o caminho. O luto pela queda é obrigatório, mas a reação precisa ser imediata. O objetivo, segundo ele, é claro e direto.

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“É difícil, a gente sai de todas as competições mata-mata, não era o nosso objetivo do ano. A gente saiu. Agora temos que trabalhar, o time que a gente tem, o elenco que a gente tem, temos que brigar na parte de cima da tabela, e é isso que a gente vai fazer”, cravou o atacante.

Atualmente na 11ª posição com 30 pontos, a missão é árdua, mas não impossível. O elenco do Botafogo, como bem disse nosso novo guerreiro, tem qualidade para mais. A meta é uma só: terminar o ano na zona de classificação para a Libertadores. É o mínimo que essa torcida merece.

O Caminho da Redenção Começa Segunda-Feira

Não há tempo para lamentações. O futebol, em sua crueza, não permite. O Botafogo volta a campo já na próxima segunda-feira, dia 24 de agosto. O palco é o nosso Nilton Santos. O adversário é o Athletico-PR, em partida válida pela 24ª rodada do Brasileirão.

É a primeira de muitas finais que teremos pela frente. É a chance de transformar a frustração em força, a dor em combustível. Como disse Danilo, é hora de “ganhar, ganhar confiança”.

Que a surpresa da sua substituição se transforme em certeza da sua titularidade. Que sua garra contagie o resto do elenco. A torcida do Fogão estará lá, como sempre, apoiando e cobrando. A Estrela Solitária precisa voltar a brilhar forte no topo do futebol brasileiro, e a caminhada, agora mais do que nunca, depende de cada gota de suor derramada no gramado.

Informações com base em reportagem do ge.globo.com.