VERGONHA E VAIAS: Danilo é alvo da torcida em eliminação dolorosa do Botafogo sob olhar de investidor

A vitória amarga por 1 a 0 não apaga a humilhação. Sob o olhar do novo dono, o Fogão cai na Sul-Americana com vaias para Danilo e gritos de 'vergonha'.

Time do Botafogo posado antes do jogo contra o Cienciano — Foto: Vitor Silva/Botafogo

Uma Vitória com Gosto de Cinzas no Nilton Santos

Há noites em que a vitória não basta. Há noites em que o placar favorável soa como uma ofensa, um eco cruel do que poderia ter sido. Foi uma dessas noites no Nilton Santos. O Botafogo venceu o Cienciano por 1 a 0, mas o gol solitário foi apenas o prólogo de um epílogo trágico: a eliminação da Copa Sul-Americana. E no centro da fúria de uma torcida ferida, um nome ecoou com vaias e ressentimento: Danilo.

A torcida alvinegra, que sonhava com a glória continental, saiu do estádio com o coração em frangalhos e um alvo claro para sua frustração. Nas redes sociais e nas arquibancadas, o sentimento era um só: a paciência acabou. A performance do meia, somada à novela recente sobre sua possível saída, transformou o que deveria ser um ativo técnico em um fardo pesado.

Danilo: De Esperança a Alvo da Fúria Alvinegra

Ninguém questiona a qualidade técnica de Danilo Santos. O que o povo do Fogão passou a questionar, em alto e bom som, é a sua alma, sua entrega, sua vontade de honrar a Estrela Solitária que carrega no peito. Após um jogo onde a classificação escapou por entre os dedos, as vaias que caíram sobre ele e também sobre Medina não foram aleatórias; foram um veredito.

A expressão ‘pior negócio’ se espalhou como fogo nas redes sociais, resumindo a decepção de quem vê um jogador talentoso parecer distante, desconectado da paixão que move o clube. A noite que poderia ser de redenção se tornou a confirmação de uma fratura exposta entre o atleta e os fiéis da Estrela.

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O que se viu foi um jogador que, mesmo marcando o único gol do time, pareceu carregar o peso do mundo. Um gol anulado por toque no braço no primeiro tempo adicionou mais um capítulo à sua noite infeliz. A torcida, que sabe perdoar o erro técnico, dificilmente perdoa a percepção de falta de ímpeto.

O Filme do Jogo: Um Roteiro de Chances Perdidas e Polêmica

Sob o comando do interino Rodrigo Bellão, que assumiu após a saída de Franclim Carvalho, o Glorioso até começou a partida com a faca nos dentes. A disposição era visível, e a esperança se materializou logo aos dez minutos. Numa jogada de pura classe, Álvaro Montoro serviu Danilo Pereira, que balançou as redes e fez o Nilton Santos explodir. Parecia o início da virada épica.

Mas o que se seguiu foi um roteiro de terror. Um festival de gols perdidos que, agora, na ressaca da eliminação, doem como punhais. Foram, no mínimo, três chances inacreditáveis:

  • Arthur Cabral (Ato 1): Cara a cara com o goleiro Espinoza, não conseguiu finalizar a jogada.
  • Arthur Cabral (Ato 2): Novamente diante do gol, não alcançou a bola e viu um zagueiro salvar em cima da linha o que seria o segundo gol.
  • Vitinho: Dentro da pequena área, com o gol aberto, conseguiu o impossível ao chutar por cima do travessão.

Enquanto o Botafogo empilhava e desperdiçava oportunidades, o Cienciano se limitava a assistir, quase convidando o Glorioso para a classificação. Mas a bola, caprichosa, não quis entrar. A ineficiência ofensiva cobrou um preço altíssimo.

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O GOLPE DE MISERICÓRDIA DO VAR

Se a incompetência para marcar já minava a confiança, o golpe fatal veio aos três minutos do segundo tempo. Pênalti claro em Alex Telles. O estádio se preparava para o grito do segundo gol, mas o árbitro paraguaio Juan Benítez foi chamado ao VAR. Após uma paralisação de quase cinco minutos que gelou o sangue de cada alvinegro, a decisão: pênalti anulado por uma falta na origem da jogada.

Foi o fim. Ali, a alma do time pareceu ter sido arrancada. A irritação com a arbitragem se somou à frustração com os gols perdidos, e o Botafogo se desmanchou em campo. O time que criava muito se tornou uma equipe errática, nervosa, sem poder de reação. A irritação da torcida transbordou em vaias, direcionadas principalmente a Danilo, o símbolo daquela noite amarga.

O sonho da Sul-Americana acabou da forma mais dolorosa possível: com uma vitória inútil, com a sensação de que fomos eliminados por nós mesmos. Agora, resta apenas o Campeonato Brasileiro. É o que temos. É o que nos resta para lutar, para lavar a alma e para mostrar que a mística alvinegra, mesmo ferida, jamais morrerá.