A Dor de Mais um Domingo Sombrio
As luzes do Barradão se apagam, mas a escuridão na alma alvinegra permanece. A derrota por 1 a 0 para o Vitória, neste domingo (16) pela 23ª rodada do Brasileirão, não foi apenas mais um resultado negativo. Foi o estopim. Em meio ao silêncio constrangedor de uma atuação apática, uma voz se ergueu. A voz de Júnior Santos, o nosso ‘Raio’, que canalizou a fúria e a vergonha de milhões de botafoguenses em uma entrevista histórica ao Premiere.
Não foi apenas um desabafo. Foi um manifesto. Um grito de quem não aguenta mais ser lesado, de quem se sente impotente diante de um sistema que parece ter o Botafogo como alvo preferencial. Mas foi, também, um olhar para dentro, uma cobrança dura e necessária a quem veste o manto sagrado da Estrela Solitária.
A Fúria Contra o Apito: ‘Eu já tô cansado disso, pô!’
O placar de 1 a 0 reflete a inoperância do time, é verdade. Mas ele poderia ter sido construído em um cenário diferente. Nos acréscimos do primeiro tempo, um lance capital. Danilo avança e é caçado por Ramon, do Vitória, com um pisão criminoso no tornozelo. O banco do Glorioso explode, a torcida clama por justiça. O cartão? Apenas amarelo. O VAR? Silêncio ensurdecedor.
Júnior Santos não se calou. Com a adrenalina da partida ainda pulsando, ele mirou seus raios na Confederação Brasileira de Futebol. “Agora eu queria saber da CBF o que que acontece contra o Botafogo? Eu já tô cansado disso, pô. Todo jogo… era pra expulsar no lance do Danilo, sempre os erros são contra a gente”, disparou o atacante, visivelmente revoltado.
A frustração do nosso camisa 11 é a de todo o povo do Fogão. A sensação de que o critério tem dois pesos e duas medidas é uma ferida aberta. “Os caras fazem falta, tô com a canela marcada aqui. Ninguém marca falta, toca no jogador dos caras é falta. Ô velho, respeito que eu tô falando aqui. Então, é sempre contra o Botafogo isso aí.”
A Memória Não Falha: Lesões Ignoradas e o Silêncio Cúmplice
A revolta de Júnior Santos não é fruto de um lance isolado. É o acúmulo de uma perseguição histórica, de uma série de ‘erros’ que sempre pendem para o mesmo lado. Ele mesmo, em carne e osso, já sentiu o peso da omissão do apito. E fez questão de lembrar.
“Eu quebrei o tornozelo aqui no jogo da Copa do Brasil e não foi pênalti. Então sempre contra a gente é isso aí”, relembrou, citando uma falta sofrida dentro da área que o tirou de combate e foi completamente ignorada. A dor da lesão é superada pela dor da injustiça.
O atacante do Glorioso foi além e tocou em um ponto nevrálgico: a cobertura da mídia. “Quando é contra os outros, as outras equipes que a gente sabe muito bem, e acontece um erro, é batido a semana toda. É por isso que quando a gente vai jogar os nossos jogos, acontece sempre isso aí”, criticou, expondo a hipocrisia que protege uns e massacra outros. “E ninguém fala nada, ninguém faz nada, fica por isso mesmo e isso é uma vergonha.”
Vergonha e Cobrança: ‘Temos que Honrar Essa Camisa’
Mas um líder de verdade não aponta apenas os erros externos. Ele assume a responsabilidade. E Júnior Santos, com a mesma intensidade que criticou a arbitragem, olhou para o próprio umbigo e para o de seus companheiros. Ele sabe que a mística alvinegra exige mais. Muito mais.
“Estamos envergonhados, né? Pelo nosso torcedor, pelo placar que foi. Não jogamos bem, essa é a realidade”, admitiu, sem meias palavras. O resultado nos deixou na 11ª colocação com 30 pontos, vendo o próprio Vitória nos alcançar com 29. Uma posição que não condiz com a grandeza do Botafogo.
Com a experiência de quem já viveu tempestades em General Severiano, ele clamou por uma reação. “Agora é trabalhar, precisamos dar a volta por cima. Temos que honrar essa camisa. Já passei por muitos momentos difíceis aqui, cara. Já passei por muita coisa aqui e eu sei que temos capacidade de dar a volta por cima. Temos que trabalhar pra dar a resposta, a torcida tem toda a razão de cobrar.”
A Última Chamada: O Ultimato Final
O futuro imediato é assustador. Na próxima quinta-feira (20), temos o jogo de volta das oitavas de final da Copa Sul-Americana contra o Cienciano. Uma missão quase impossível após a humilhante goleada por 6 a 1 na partida de ida. Não há mais espaço para desculpas, para apatia, para atuações burocráticas.
As palavras finais de Júnior Santos soaram como um ultimato, um soco na mesa do vestiário, uma convocação final à dignidade. “E sobre nós mesmos, olhando para nós mesmos, temos que tomar vergonha na cara, trabalhar e conseguir dar a resposta a p…”.
A frase, interrompida, diz tudo. O recado foi dado. A fúria de Júnior Santos precisa ecoar em cada jogador que veste essa camisa. Que a vergonha se transforme em raça. Que a revolta contra o sistema se converta em combustível. A Estrela Solitária clama por guerreiros. E o nosso ‘Raio’ acaba de declarar guerra.
Informações com base em reportagem do www.lance.com.br.