O DILEMA DE FRANCLIM: O Botafogo de dois rostos que brilhou e frustrou no Nilton Santos

Um golaço de Alex Telles nos fez sonhar, mas a queda no segundo tempo acende o alerta. O Glorioso mostrou evolução, mas a lição contra o Fluminense foi dura.

Botafogo posado antes do jogo contra o Fluminense — Foto: Alexandre Durão

Um Sabor Amargo que Revela a Verdade

Há noites que doem mais que uma derrota. O empate em 1 a 1 com o time misto do Fluminense, em pleno Nilton Santos, pela 22ª rodada do Brasileirão, foi uma dessas. Foi a noite em que a Estrela Solitária brilhou intensamente, para depois se ver ofuscada por nossos próprios fantasmas. Saímos do estádio com um golaço na memória e uma pulga atrás da orelha: o time de Franclim Carvalho evoluiu, sim, mas a estrada para a glória ainda exige ajustes cruciais.

Aquele sentimento agridoce, sabe, torcedor? Aquele de ver um time com uma ideia de jogo clara, que sufoca o rival mesmo sem a bola, mas que, em um piscar de olhos, se perde e permite a reação. O Botafogo é isso aí, um turbilhão de emoções, mas para sonharmos com a Libertadores direta ou o título da Sul-Americana, precisamos de mais constância.

A Sinfonia do Primeiro Tempo: Domínio e Magia

Os primeiros 45 minutos foram um recital. Franclim Carvalho, com as entradas de Vilalba no lugar do suspenso Huguinho e de Kauan Toledo na vaga de Matheus Martins, armou um time que sabia o que fazer. A posse de bola? Ficou com eles (56% para o Fluminense). O perigo? Foi todo nosso.

O Glorioso era uma mola, se contraindo para explodir em velocidade. Cada vez que a bola chegava aos pés alvinegros, era um calafrio na espinha do rival. Povoamos o meio, rodamos a bola com inteligência e criamos. A justiça tardou, mas não falhou. Aos 43 minutos, a arte em forma de cobrança de falta. Alex Telles, com a precisão de um mestre, desenhou uma curva perfeita e estufou as redes. Um gol para lavar a alma e nos fazer acreditar que a noite seria nossa.

Publicidade

O Apagão Inexplicável da Etapa Final

E então, o intervalo. O que aconteceu naquele vestiário, só os deuses do futebol sabem. A intensidade que nos fez donos do jogo na primeira etapa simplesmente desapareceu. O Fluminense, que antes só tinha a bola, passou a ter o controle. E o Botafogo, antes predador, virou presa.

Fomos encaixotados em nosso próprio campo. A proposta do treinador português, que parecia tão bem assimilada, se desfez. E o castigo veio rápido. Aos 13 minutos, num cruzamento de Serna, Ignácio subiu mais alto que nossa defesa. Para piorar, Ferraresi escorregou no lance, e a bola, depois de beijar a trave, morreu no fundo do nosso gol. Um balde de água fria que expôs nossa maior fraqueza: a incapacidade de sofrer e manter o controle sem a bola.

A Pontaria que nos Custa Pontos Preciosos

Aqui reside o cerne do problema, fiel da Estrela. Não se pode criar tanto e marcar tão pouco. Foram 21 finalizações ao longo da partida, um volume impressionante. Mas quantas foram no alvo? Apenas nove. É a matemática que nos impede de decolar.

Pior ainda é saber que a chance de matar o jogo esteve em nossos pés. Pouco antes de sofrermos o empate, Arthur Cabral e Vilalba tiveram a faca e o queijo na mão para fazer o segundo, mas a dupla não conseguiu aproveitar. Em um campeonato tão disputado, desperdiçar oportunidades como essas é um pecado capital. A vitória nos foge pelos vãos dos dedos, pela falta de precisão na hora H.

Publicidade

As Cartas de Franclim e o Cenário Imutável

O técnico Franclim Carvalho viu o time ruir e agiu. Tentou mudar o panorama com as entradas de Matheus Martins e Barrera nos lugares de Kauan Toledo e Vilalba. Não funcionou. A noite, que já era dramática, ficou ainda mais com a lesão de Barrera, que precisou ser substituído por Lucas Emanuel pouco depois de entrar.

As outras trocas, com Paulinho na vaga de Telles e Danilo Pereira no lugar de Montoro, também não surtiram o efeito desejado. O time de General Severiano seguiu apático, sem a força ofensiva do primeiro tempo e com a fragilidade defensiva do segundo. O roteiro do jogo não se alterou, e o empate se consolidou como o resultado inevitável de um time de duas caras.

A Lição que Fica

Desde a parada para a Copa, o retrospecto não é ruim: duas vitórias e dois empates. Há evolução, há uma ideia de jogo. Mas os dois empates foram em casa, em jogos que poderíamos ter vencido. Para um clube com a grandeza do Botafogo, que almeja voos altos, é preciso mais. É preciso aprender a sofrer, a matar o jogo quando a chance aparece e, acima de tudo, a manter a intensidade por 90 minutos. A lição foi dura, mas talvez necessária. Que Franclim e seus comandados a tenham aprendido.

Publicidade

Informações com base em reportagem do ge.globo.com.