A tarde deste domingo (26) no Mineirão nos presenteou com uma daquelas cenas que definem o que é ser botafoguense. É sobre sofrer, é sobre acreditar, é sobre ver a mística alvinegra entrar em campo quando tudo parece perdido. O placar de 1 a 0 para o Glorioso, com gol do nosso zagueiro Gabriel Justino, conta uma história, mas o lance que antecedeu a explosão de alegria da nossa torcida é o verdadeiro roteiro de um filme que só o Botafogo é capaz de estrelar.
O coração de cada alvinegro parou por um segundo. Diante de nós, a cena que assombra nossos piores pesadelos: o atacante adversário, Kaio Jorge, recebe um passe que rasga nossa defesa, sai na cara do gol, sozinho, com todo o tempo do mundo. O Mineirão inteiro prendeu a respiração. Ele ajeitou o corpo. Ele escolheu o canto. E, por obra divina ou por pura incompetência, ele mandou a bola para fora. Um gol perdido de forma inacreditável, daqueles que fazem um estádio inteiro soltar um ‘uuhhh’ de espanto.
Nas redes sociais, a torcida do Cruzeiro, o ‘Cabuloso’, entrou em erupção. A revolta era palpável. Frases como ‘impressionante’ e uma coleção de impropérios que não cabe a nós reproduzir tomaram conta da internet. Para eles, um momento de fúria. Para nós, um sopro de vida. Um sinal dos céus de que a tarde seria nossa.
Quem não faz, leva: a lei do futebol é alvinegra
E como diz a mais antiga e sábia lei do futebol, ‘quem não faz, leva’. A falha grotesca de Kaio Jorge não foi apenas um erro; foi um convite. Um convite para a Estrela Solitária brilhar mais forte em solo mineiro. E o Botafogo, meus amigos, aceitou a gentileza.
Pouco tempo depois do susto, a resposta veio pelo alto. Escanteio para o Fogão. A bola viaja na direção da área e encontra quem? Nosso zagueiro, Gabriel Justino! Como um verdadeiro guerreiro de General Severiano, ele subiu mais alto que a defesa azul e testou firme, para o fundo das redes. Gol! Gol do Glorioso! O grito entalado na garganta explodiu. 1 a 0 para o Botafogo.
Esse é o Botafogo que conhecemos. O time que flerta com o precipício apenas para nos entregar a glória de forma ainda mais saborosa. O gol perdido por eles não foi sorte. Foi o universo se alinhando, foi a camisa pesando, foi a mística de um clube que não se explica, apenas se sente.
O fantasma do Mineirão e um histórico a ser quebrado
Vencer no Mineirão nunca é uma tarefa simples. A história e os números, frios como são, mostram um cenário de equilíbrio, mas com uma vantagem para o time da casa que incomoda. A fonte do portal Lance! nos lembra que, desde 2004, foram 41 partidas, com 17 vitórias do Cruzeiro contra 11 nossas, além de 13 empates.
O retrospecto recente no estádio é ainda mais duro. O Glorioso não sabe o que é vencer o Cruzeiro pelo Brasileirão no Mineirão desde 2021. Nos últimos cinco confrontos por lá, foram três derrotas e dois empates. Números que transformavam a partida de hoje em um desafio gigantesco, mas que só engrandecem o que nosso time está construindo em campo.
Quebrar tabus, superar estatísticas, calar estádios. Essa tem que ser a nossa sina. E tudo começa com momentos como o de hoje: um adversário que treme na base e um Botafogo que não perdoa.
A doce lembrança do primeiro turno
Se o retrospecto geral e no Mineirão nos pede cautela, a memória do primeiro turno deste mesmo Brasileirão nos enche de confiança. Quem não se lembra daquela noite mágica no nosso Nilton Santos? A estreia na competição, no dia 29 de janeiro, foi um verdadeiro atropelo.
Um sonoro 4 a 0, com autoridade, que não apenas nos deu os três pontos, mas também encerrou um doloroso jejum de dez anos sem vencer a Raposa. Foi uma demonstração de força, um recado para o campeonato de que o Alvinegro de General Severiano vinha para brigar de verdade.
Aquela goleada mostrou do que nosso elenco é capaz quando joga em casa, empurrado por nossa gente. Agora, o desafio é transportar essa mesma intensidade para os jogos fora, especialmente em territórios hostis como o Mineirão. O gol de Gabriel Justino, nascido de um erro capital do adversário, é o primeiro passo.
Ainda há jogo pela frente, mas a lição do dia já foi dada. No futebol, e especialmente quando se enfrenta o Botafogo, não se pode vacilar. A Estrela Solitária está sempre à espreita, pronta para punir os incrédulos e para guiar seu povo fiel à vitória. Botafogo é isso aí!
Informações com base em reportagem do www.lance.com.br.