A NOITE DA MURALHA! Lucas Arcanjo para o Fogão em empate amargo no Niltão

Em noite de frustração no Niltão, Botafogo domina, mas para em atuação GIGANTE do goleiro Lucas Arcanjo e perde dois pontos preciosos em casa.

Lucas Arcanjo, goleiro do Vitória, em ação contra o Botafogo — Foto: Thiago Ribeiro/AGIF

Como não vencemos? A pergunta que ecoa em General Severiano

Existem noites que desafiam a lógica, que testam a fé do mais fiel dos torcedores. A noite do empate em 0 a 0 com o Vitória, em jogo adiado da quarta rodada, foi uma delas. Quem esteve no Nilton Santos ou acompanhou pela TV se fará a mesma pergunta por dias: como o Botafogo não venceu aquela partida? A resposta, dolorosa e frustrante, tem nome e sobrenome: Lucas Arcanjo. O goleiro do Vitória foi um gigante, uma muralha intransponível que negou a alegria ao povo do Fogão.

O Glorioso dominou, criou, envolveu o adversário. Fez tudo o que se espera de um time que joga em seus domínios e busca o topo da tabela. Mas o futebol, em sua crueldade poética, nos pregou uma peça. Saímos de campo com um ponto que tem gosto de derrota e a sensação de que dois pontos preciosos escorreram por entre os dedos, em parte por um adversário inspirado, em parte por decisões que esfriaram a alma de um time que fervia.

Um Maestro Chamado Montoro e um Ataque que Parou no Quase

Desde o apito inicial, o Alvinegro impôs seu ritmo. E no centro de tudo, um maestro vestindo a camisa 10: Montoro. Que partida do nosso craque! Ele não foi apenas o armador, o cérebro das jogadas ofensivas. Montoro foi onipresente, recuando para buscar o jogo como um camisa 8, ditando o ritmo desde o campo de defesa e quebrando as linhas do Vitória com passes geniais.

Ao seu lado, Arthur Cabral também elevou o nível, criando tabelas e jogadas que deixaram o time baiano na roda. O primeiro tempo foi um monólogo alvinegro. A bola girava, as chances apareciam, mas o último toque, a finalização fatal, teimava em não acontecer. Enquanto o meio-campo com Huguinho e Medina fechava os espaços e forçava o adversário a erros, as pontas não correspondiam. Villalba e Matheus Martins tiveram campo para correr, mas pecaram na hora de concluir, deixando a torcida no quase.

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Na defesa, a estreia de Warleson no gol trouxe segurança. O novo goleiro foi pouco exigido, mas quando precisou, mostrou serviço e ganhou pontos importantes. A zaga, com Justino e Marçal, e os laterais Alex Telles e um Vitinho que cresceria no segundo tempo, controlaram as poucas investidas do rival.

A escalação inicial de Franclim Carvalho mostrava a intenção de amassar o adversário:

  • Goleiro: Warleson
  • Defesa: Vitinho, Justino, Marçal e Alex Telles
  • Meio-campo: Huguinho, Medina e Montoro
  • Ataque: Villalba, Matheus Martins e Arthur Cabral

A Saga de Danilo e o Gelo das Substituições

O segundo tempo começou com a mesma tônica: pressão do Fogão. E foi aí que a estrela de Lucas Arcanjo brilhou de forma ofuscante. O goleiro do Vitória operou milagres, com seis defesas cruciais que entraram para a sua conta pessoal e para a nossa lista de pesadelos. Ele foi, sem dúvida, o algoz da noite.

Enquanto o time martelava em campo, os olhos da torcida se dividiam com a pista de aquecimento. Ali, estava Danilo. Aos 20 minutos da segunda etapa, o momento que selaria uma novela aconteceu: Franclim chamou o volante. Ao entrar no lugar de Villalba, Danilo completou seu 13º jogo pelo Brasileirão, pondo um fim na cobiça do Palmeiras e garantindo sua permanência para a sequência da competição.

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Muito se falará sobre este fato, uma vitória institucional do Botafogo. Mas, em campo, a entrada de Danilo, junto com a de Lucas Emanuel (que substituiu Matheus Martins), teve um efeito inesperado e desastroso. O ritmo intenso, a pressão avassaladora, tudo se dissipou. O time esfriou. Danilo participou pouco, e Lucas Emanuel, que havia marcado na rodada anterior, esteve em uma noite para esquecer, errando lances simples.

Um Final de Jogo Sem Alma e Dois Pontos Perdidos

As trocas não pararam por aí e, a cada uma delas, o Glorioso parecia perder um pouco de sua identidade em campo. Ponte entrou no lugar de Vitinho, Santi Rodríguez substituiu Huguinho, e Kadir foi para o jogo na vaga de Arthur Cabral. O resultado? Um time desfigurado, sem o mesmo repertório e sem a mesma pegada que encurralou o Vitória por mais de uma hora.

O domínio se transformou em uma posse de bola estéril. A criatividade de Montoro já não encontrava a mesma sintonia. O ímpeto se foi. O apito final soou como um veredito de frustração. Deixamos de somar dois pontos que farão falta, em um jogo que era para ser vencido com autoridade.

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A noite que tinha tudo para ser de festa, com a permanência de Danilo e uma vitória em casa, terminou com o gosto amargo de um 0 a 0. Uma noite em que a Estrela Solitária foi ofuscada pela noite iluminada de um goleiro adversário e por decisões que, infelizmente, congelaram a paixão que vinha das arquibancadas.

Informações com base em reportagem do ge.globo.com.