HERÓI E VILÃO! Danilo volta, incendeia o Niltão mas Fogão para em muralha chamada Lucas Arcanjo

Em noite de festa pelo retorno de Danilo, Fogão pressiona, cria, mas para em atuação milagrosa do goleiro Lucas Arcanjo e amarga empate no Niltão.

Matheus Martins chuta e para em defesa de Lucas Arcanjo em duelo entre Botafogo e Vitória (Foto: André Fabiano/Código 19/Folhapress)

Um Grito Preso na Garganta no Nilton Santos

Existem noites que desafiam a lógica e testam a alma do torcedor. A desta quinta-feira (23), no Estádio Nilton Santos, foi uma delas. Uma noite de sentimentos misturados, onde a alegria transbordante pelo retorno de um filho pródigo colidiu com a frustração amarga de um muro intransponível. O Botafogo pressionou, lutou, incendiou a arquibancada, mas esbarrou em um Lucas Arcanjo em estado de graça e não saiu do 0 a 0 contra o Vitória, em jogo atrasado da quarta rodada do Brasileirão.

O placar final não conta a história completa. Não descreve a paixão, a entrega e a agonia de 90 minutos em que o Glorioso fez de tudo, menos o essencial: balançar as redes. A culpa tem nome e sobrenome: Lucas Arcanjo, o goleiro rubro-negro que decidiu ser o vilão perfeito da nossa festa.

Um Primeiro Tempo de Estudo e Equilíbrio

Como era de se esperar, o confronto começou como uma partida de xadrez. De um lado, o nosso Fogão, com os bem-vindos retornos de Montoro e Arthur Cabral para dar mais peso ao time. Do outro, um Vitória fechado, esperando o momento certo. E foi o Glorioso quem deu as cartas primeiro, mostrando quem mandava em casa.

Arthur Cabral, com a fome de gol que conhecemos, soltou uma bomba de longe, buscando o ângulo. O grito de gol já estava na ponta da língua, mas Lucas Arcanjo voou para fazer uma defesa espetacular, daquelas de cinema. Era o primeiro aviso do que estava por vir. O Vitória, tímido, só assustou de verdade em uma chegada de Renê, mas parou em uma intervenção segura do nosso estreante na meta, Warleson. Uma estreia sólida para o nosso novo paredão.

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Os números do primeiro tempo refletem esse equilíbrio tenso: o Leão teve mais a bola nos pés, com 52% de posse, mas foi o Alvinegro quem soube o que fazer com ela. Foram sete finalizações e cinco escanteios para nós. A dupla de extremos, Villalba e Matheus Martins, não estava em sua noite mais inspirada, mas a criatividade de Medina e Montoro no meio-campo mantinha a chama da esperança acesa.

A Muralha Chamada Lucas Arcanjo

Se o primeiro tempo foi equilibrado, a segunda etapa foi um monólogo alvinegro. O Botafogo voltou do vestiário com o espírito que a gente ama: amassando o adversário, empurrando-o para seu campo de defesa e transformando o Niltão em um caldeirão. A torcida cantava, vibrava e empurrava o time para cima.

Cada ataque, cada cruzamento, cada chute parecia destinado ao gol. Mas havia uma barreira. Lucas Arcanjo se agigantou. Ele se tornou o destaque absoluto da partida, frustrando uma chance atrás da outra. Foi uma daquelas atuações que entram para a história do adversário e para o nosso livro de frustrações. O gol simplesmente não queria sair, negado por um goleiro em noite milagrosa.

O Retorno do Rei: Danilo é do Fogão!

Em meio à agonia da busca pelo gol, um momento de pura catarse. Aos 21 minutos do segundo tempo, a placa de substituição se ergueu e o nome de Danilo apareceu. O Niltão explodiu. O nosso craque, o nosso camisa 10, entrou em campo pela 13ª vez neste Brasileirão, selando sua permanência e pondo fim a uma novela que nos tirou o sono.

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A torcida alvinegra, em um só coro, fez o que sabe fazer de melhor: mostrou seu amor e não perdeu a chance de provocar. Os gritos para o Palmeiras, que tentou levar nosso jogador, ecoaram pelo estádio. Foi um recado claro: Danilo fica. Ele é nosso. Ele joga por amor a essa Estrela Solitária. A festa pelo seu retorno foi o ponto alto de uma noite de emoções conflitantes.

Apesar do ímpeto renovado com a entrada do nosso craque, o placar insistiu em permanecer zerado. O ponto somado tem um gosto amargo, de dois pontos perdidos em casa. Saímos do estádio com a voz rouca e o coração dividido entre a frustração do resultado e a alegria imensa de saber que Danilo continua conosco. E no fim, talvez seja isso que signifique ser Botafogo: sofrer com paixão, mas celebrar com a alma a lealdade de quem honra nosso manto.

Informações com base em reportagem do www.lance.com.br.