A profecia do novo guerreiro: ‘O carvão pressionado gera diamante’
A alma alvinegra respira aliviada e, ao mesmo tempo, arde em expectativa. A última peça do quebra-cabeça de meio de ano do Glorioso foi enfim revelada. Domingos Andrade, volante angolano de 23 anos, foi apresentado no Estádio Nilton Santos, fechando o ciclo de reforços que promete incendiar o segundo semestre do Fogão.
E ele não chegou com palavras vazias. Chegou com uma profecia, uma filosofia de vida que parece ter sido forjada para vestir o manto sagrado. “Em Angola, temos um ditado que é ‘o carvão quando pressionado gera diamante’. Espero que com a pressão da estrutura e da torcida gere frutos que todos nós saiamos felizes”, declarou o novo dono da camisa alvinegra.
Que o povo do Fogão saiba: chegou um jogador que entende a nossa essência. A pressão que para muitos é um fardo, para ele é a força que transforma. É disso que o Botafogo é feito.
A missão: ‘Recuperar a bola e carregar o piano’
Mas o que a torcida pode esperar em campo? Domingos Andrade define seu estilo de jogo com a simplicidade dos grandes. Sua função, como ele mesmo explicou, é a de um operário de luxo: recuperar a bola e “carregar o piano”. É o trabalho sujo, a entrega incansável no meio-campo que permite aos maestros brilharem.
Ele é o quinto reforço a desembarcar em General Severiano, juntando-se aos goleiros Gabriel Batista e Walerson, ao zagueiro Lucas Monzón e ao lateral Paulinho. Um pacotão que mostra a ambição da diretoria em fortalecer o elenco para as batalhas que virão.
Com um contrato longo, assinado até o fim de 2029, a aposta em Domingos é um projeto. O Botafogo adquiriu 70% dos seus direitos econômicos por um valor fixo de 1,5 milhão de euros (cerca de R$ 8,8 milhões), com a possibilidade de mais 500 mil euros (aproximadamente R$ 2,9 milhões) em bônus por metas. Um investimento sério em um talento promissor.
De Luanda para a Estrela Solitária: a jornada do diamante
Nascido em Luanda, capital de Angola, a trajetória de Domingos é a de um lutador. Iniciou sua formação no Interclube, em seu país natal, antes de cruzar o Atlântico para o sub-19 do Sporting, em Portugal. A vida, no entanto, lhe impôs desafios: foi dispensado quando estava no sub-23 do clube lisboeta.
Muitos desistiriam. Ele não. Reergueu-se no Felgueiras, da terceira divisão portuguesa, e seu talento o levou ao Porto B na temporada 2024/2025. Uma escalada movida a resiliência, a mesma que precisará para brilhar com a Estrela Solitária no peito.
A adaptação, segundo ele, tende a ser mais fácil. “O fato de falar a língua portuguesa ajuda bastante, porque a comunicação vai ser mais fluída. E os meus primeiros dias foram bons. O plantel todo recebeu muito bem e até agora foi tranquilo”, afirmou, mostrando a boa recepção do grupo.
A conexão Angola-Botafogo e a palavra do Mister
A chegada de Domingos Andrade fortalece uma ponte que já existia. A presença de Bastos no elenco fez com que muitos angolanos passassem a acompanhar o Glorioso. Agora, a torcida do Fogão em Angola tem tudo para dobrar de tamanho.
“O pessoal acompanhava, acabava vendo o Botafogo por causa do Bastos também, porque é o representante do nosso país e isso fortalece a ligação. E agora, com a minha vinda aqui, creio que o povo angolano vai acompanhar ainda mais”, projeta o volante. Curiosamente, ele revelou que ainda não teve a chance de conversar com o compatriota, mas que isso acontecerá em breve.
Com quem ele já conversou foi com o técnico Franclim Carvalho. “O Mister falou comigo sim. Falou daquilo que achava de mim como jogador, daquilo que esperava de mim, aspectos a melhorar, aspectos que eu tenho que continuar a fazer. E foi uma conversa saudável”, contou o jogador.
Quando o guerreiro entra em campo?
A ansiedade da torcida alvinegra é grande, mas Domingos prega calma e profissionalismo. Vindo de um período de férias na Europa, ele sabe que precisa de tempo para atingir sua melhor forma física.
“Acho que nessa altura o meu trabalho é treinar para buscar a condição física, estar na melhor forma possível. É bem sabido que lá estamos vindo das férias. Não consigo dar data, o que posso garantir é que vou trabalhar para que as coisas aconteçam”, garantiu.
É a mentalidade correta. Sem promessas vazias, apenas a certeza do trabalho duro. O Mundial sub-17 abriu as portas da Europa para ele, e agora, com os pés no chão, ele chega ao Botafogo para dar o próximo passo. Que a pressão do Nilton Santos o transforme no diamante que ele nasceu para ser. A Estrela Solitária te recebe, guerreiro!
Informações com base em reportagem do ge.globo.com.