‘Se tiver que meter a cabeça no chão, ele vai meter’
Essa frase, torcedor alvinegro, não é apenas uma descrição. É um juramento. É a carta de apresentação de Domingos Andrade, o volante que está de malas prontas para desembarcar em General Severiano e vestir o manto mais glorioso do futebol mundial. Em um time que clama por raça e entrega, a chegada de um jogador definido por sua coragem visceral soa como música para os ouvidos da fiel torcida do Fogão.
Vindo do Porto B, de Portugal, o meio-campista não é um nome qualquer pinçado no mercado. Ele traz consigo a chancela de alguém que conhece muito bem os corredores do nosso clube e a alma botafoguense: João Brandão, ex-auxiliar do técnico Luís Castro em sua passagem pelo Glorioso.
A Bênção de um ‘Pai’ do Futebol
A relação entre Domingos Andrade e João Brandão vai além do profissional. Fontes próximas ao atleta descrevem um laço quase de ‘pai e filho’. Foi Brandão, ao assumir o time B do Porto, quem bateu na mesa e pediu à diretoria a contratação de um volante com as características exatas de Domingos, que na época atuava no modesto Felgueiras.
O destino, sempre ele, tece suas tramas com a linha da Estrela Solitária. Agora, foi o mesmo João Brandão quem deu as melhores referências possíveis ao Botafogo durante as negociações. É a mística alvinegra operando em nosso favor, trazendo para o nosso meio-campo um jogador testado e aprovado por quem já sentiu o calor da nossa arquibancada.
Um Cão de Guarda para Proteger a Zaga
Mas quem é Domingos Andrade dentro das quatro linhas? Esqueça o meia que flutua e distribui passes de efeito. O novo reforço do Fogão é um especialista na arte da destruição. Um cão de guarda, um protetor da defesa, um jogador cuja principal missão é dar tranquilidade aos nossos zagueiros e liberdade aos nossos criadores.
Sua contribuição ofensiva é descrita como limitada, e está tudo bem. O Botafogo precisa dessa peça, desse equilíbrio. Precisamos de um guerreiro que entenda que, às vezes, o desarme na entrada da área vale mais que um gol. A saída de Newton para o São Paulo deixou uma lacuna que Franclim Carvalho precisava preencher, e Domingos chega com o perfil ideal para essa função vital.
O ‘Titular Indiscutível’ que o Porto não soube aproveitar
Uma pergunta pode pairar na cabeça do torcedor: se ele é tão bom, por que não teve chances no time principal do Porto? A resposta foi dada por ‘Migas’ Monteiro, ex-repórter do Porto Canal e criador de conteúdo especializado no futebol português. E a explicação só nos enche de mais esperança.
Segundo Monteiro, Domingos chegou ao Porto B em um momento de enorme turbulência no clube principal, com troca de presidente, de técnico e de direção. Era um cenário arriscado para apostar em jovens. “O Domingos sempre foi um jogador fundamental na equipe B”, cravou o jornalista, confirmando que, apesar de treinar com o time de cima, a oportunidade real nunca surgiu por conta do contexto.
Na temporada seguinte, o problema foi outro: o meio-campo titular do Porto estava blindado pela dupla Alan Varela e Pablo Rosario, que se estabeleceram de forma absoluta e não sofreram lesões. Não havia espaço. Mas no time B, a história era outra. Nas palavras de ‘Migas’ Monteiro: “Ele sempre foi um titular indiscutível. Se estivesse disponível, tinha que jogar, o Porto era muito melhor com ele do que sem ele”.
A Jornada do Guerreiro até o Glorioso
A trajetória de Domingos Andrade é a de um lutador. Iniciou sua formação na base do Interclube, em Angola, e de lá partiu para a cobiçada academia do Sporting, em Portugal. Contudo, quando estava no sub-23, foi dispensado, um baque que poderia ter encerrado muitas carreiras.
Mas não a dele. Domingos foi para o Felgueiras, da terceira divisão portuguesa, para reconstruir seu caminho. Foi lá que seu futebol de raça e imposição chamou a atenção de João Brandão, que o levou para o Porto B, onde se tornou o pilar que agora chega para fortalecer o Glorioso. É um jogador forjado nas adversidades, pronto para os desafios que só o Botafogo proporciona.
Seja bem-vindo, Domingos Andrade! Que sua garra contagie o elenco e que sua cabeça, seja no chão ou erguida após uma vitória, honre a nossa Estrela Solitária. A torcida alvinegra te abraça e espera nada menos que entrega total. O palco está montado.
Informações com base em reportagem do ge.globo.com.