A Paixão que Não Tira Férias
Foram 47 longos e intermináveis dias. Quase dois meses sem sentir o coração bater mais forte, sem a angústia e a glória que só o Botafogo nos proporciona. O retorno ao Niltão, contra o Santos, pela 19ª rodada do Brasileirão, era o reencontro que a alma alvinegra ansiava. E, meus amigos, o Glorioso não decepcionou. Entregou tudo. Botafogo é isso aí: um roteiro de cinema, do sofrimento à explosão em questão de segundos.
A vitória por 2 a 1, no apagar das luzes, pode não ter sido uma obra de arte tática. Pelo contrário, ela escancarou desafios que teremos pela frente. Mas quem se importa com a perfeição quando se tem a emoção? O jogo foi um lembrete de que, com esta camisa, a lógica fica do lado de fora do estádio.
A Estrela que Nasce em Noite de Provação
Enquanto a torcida clama por reforços, a solução pode estar brotando em General Severiano. O técnico Franclim Carvalho, com a coragem que se exige no Fogão, não hesitou em olhar para a base. E que noite para os nossos garotos! Justino, Huguinho, Kauan Toledo e, principalmente, ele: Lucas Emanuel.
Com apenas 17 anos, o moleque foi lançado como titular e jogou com a personalidade de um veterano. O primeiro tempo foi difícil, o time não se encontrava. Mas quando a defesa do Santos vacilou, a joia brilhou. Com uma frieza assombrosa, ele viu o goleiro Gabriel Brazão adiantado e tocou por cima. Uma cavadinha! Um golaço que não foi apenas um gol, foi um ato poético. Com essa pintura, Lucas Emanuel se tornou o jogador mais jovem a marcar pelo Botafogo na história do Brasileirão. A Estrela Solitária escolheu um novo protegido.
O Jogo que Não Mente: Sofrimento e Luta
Apesar do brilho do nosso garoto, a verdade precisa ser dita: sofremos. E como sofremos. O primeiro tempo mostrou um time com dificuldades para criar, sentindo falta de um maestro no meio-campo. Os volantes Huguinho e Medina corriam, mas penavam para conter o trio santista de Miguelito, Barreal e Rollheiser.
Se não fosse nosso paredão Léo Linck, a história poderia ter sido outra. Ele operou um milagre ainda na primeira etapa, segurando o placar. O gol de Lucas Emanuel foi um oásis no deserto, um prêmio pela nossa capacidade de sermos reativos e letais quando a chance aparece.
Na segunda etapa, o roteiro de drama se intensificou. Começamos melhor, com Medina quase marcando um golaço, parado por outra grande defesa de Brazão. Mas a fragilidade defensiva voltou a aparecer. Em um lance confuso de escanteio, Léo Linck caiu pedindo falta e Barreal, livre, não perdoou. O empate era um balde de água fria.
Depois do gol, o Santos cresceu. A virada parecia questão de tempo. E mais uma vez, Léo Linck se agigantou, defendendo chutes de Gabriel Bontempo e um cabeceio de Lucas Veríssimo. Ele nos manteve vivos no jogo. Ele nos permitiu sonhar.
No Apagar das Luzes: O Caos e a Glória de Kadir
O relógio se arrastava para o fim. O empate amargo parecia selado. Mas o destino, meus caros, veste preto e branco. Franclim Carvalho lançou Kadir em campo, um atacante que ainda não havia marcado na temporada. E então, o último lance. O lance que define o que é ser Botafogo.
Uma bola longa, despretensiosa. O goleiro Brazão sai do gol, confiante. E o caos se instala. Ele chuta a bola em cima do seu próprio zagueiro, Luan Peres. Os dois se chocam, caem no gramado. A bola, caprichosa, sobra limpa. Limpa para quem? Para Kadir!
O que se seguiu foi pura mística alvinegra. Kadir dominou, avançou, protegeu da chegada de Lucas Veríssimo e, com o gol escancarado, fuzilou para as redes. Explosão no Nilton Santos! O gol da vitória! O primeiro gol dele na temporada, no momento mais improvável, da forma mais botafoguense possível.
Essa vitória não esconde nossas carências. Precisamos de ajustes, de mais qualidade em certos setores. Mas ela nos dá algo talvez mais importante: a certeza de que este time tem alma. Tem jovens com fome de glória e heróis improváveis prontos para brilhar. A estrela brilha, torcedor. E quando ela brilha, tudo é possível.
Informações com base em reportagem do ge.globo.com.