FOGÃO EM EBULIÇÃO: A guerra de Textor, o futuro de Franclim e os 30 dias que abalaram o Botafogo

Um mês sem jogos, mas com uma guerra em cada corredor de General Severiano. A venda da SAF, a luta de Textor e o futuro de Franclim. O Glorioso vive uma tempestade.

Textor foi ao treino do Botafogo nesta quinta-feira — Foto: Reprodução

Um Mês de Silêncio nos Gramados, Uma Tempestade nos Bastidores

Faz um mês. Trinta longos dias desde que a bola rolou pela última vez para o Glorioso, naquela noite amarga contra o Bahia. Para o torcedor, um vácuo, uma saudade do preto e branco em campo. Mas quem pensa que o Botafogo esteve parado, se engana profundamente. Longe dos holofotes do Brasileirão, uma guerra silenciosa foi travada em múltiplos frontes, testando a resiliência da nossa Estrela Solitária como poucas vezes na história.

Enquanto a torcida alvinegra contava os dias para ver o time em ação, os corredores de General Severiano ferviam. Foi um período de batalhas judiciais, negociações que definirão nosso futuro, punições da Fifa e uma apreensão constante sobre o comando técnico. O Fogão não jogou, mas esteve no centro de um furacão.

A Guerra pelo Trono: A Venda da SAF e a Luta de John Textor

O capítulo mais denso desta saga é, sem dúvida, o futuro da nossa SAF. Um acordo vinculante foi assinado, abrindo caminho para que a GDA Luma Capital se torne a nova investidora. A operação será concluída pela Cork Gully, administradora judicial da Eagle Bidco, que passará os 90% das ações para a GDA.

O que isso significa na prática? A GDA assume não só o controle, mas também a dívida, com a promessa de um investimento de 105 milhões de dólares. Mais crucial ainda: um acordo foi selado para que a SAF entre em Recuperação Judicial. É o caminho para organizar a casa e lidar com uma dívida que chega à impressionante cifra de R$ 1,2 bilhões.

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Paralelamente, John Textor, a figura que iniciou essa nova era, trava sua própria batalha. O americano luta na Justiça, tanto no Brasil quanto nos Estados Unidos, para provar que ainda é o dono legítimo das ações, alegando que a venda para a Eagle Bidco nunca foi concluída. Contudo, uma decisão recente do Tribunal de Justiça do Rio jogou um balde de água fria em suas pretensões imediatas, esclarecendo que suas ações judiciais não invalidam a gestão atual de Eduardo Iglesias nem o processo de Recuperação Judicial. A guerra pelo trono do Fogão está longe de acabar.

O Pesadelo da FIFA: A Montanha-Russa do Transfer Ban

Como se não bastasse a complexidade societária, o Botafogo enfrentou um drama recorrente: as punições da Fifa. O mês de junho começou com o sexto transfer ban caindo sobre nossas cabeças, desta vez por uma dívida na compra de Lucas Villalba, do Nacional, no valor de 3 milhões de dólares (cerca de R$ 16,3 milhões na época).

Essa punição se somou a uma lista dolorosa que já nos assombrava. Relembre o calvário:

  • Dívida com o Atlanta United pela contratação de Thiago Almada.
  • Dívida com o Ludogorets por Rwan Cruz.
  • Dívida com o New York City por Santi Rodríguez.
  • Dívida com o Zenit por Artur.
  • Uma sanção geral pelo não pagamento de multas anteriores.

Em meio ao caos, uma luz brilhou. Na última segunda-feira, o clube conseguiu uma vitória crucial ao derrubar o transfer ban referente a Thiago Almada. A Fifa, enfim, reconheceu o regime de Recuperação Judicial da nossa SAF, um precedente importantíssimo. A torcida respirou aliviada, mas por pouco tempo.

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Na terça-feira, a mística alvinegra, que adora um drama, nos presenteou com mais um capítulo. Fomos punidos novamente. A dívida da vez é com o Junior Barranquilla, pela chegada de Jordan Barrera, numa operação de 4 milhões de dólares (aproximadamente R$ 22,2 milhões). E assim, voltamos à estaca zero: seis punições ativas. Uma batalha que parece não ter fim.

Coração na Mão: Franclim Carvalho na Mira do Rival

A instabilidade não se resumiu aos escritórios. Ela bateu à porta do nosso vestiário. O técnico Franclim Carvalho, nosso comandante, despertou o interesse do Vasco. E não foi apenas uma sondagem. A negociação avançou, com um acordo verbal já estabelecido entre as partes.

O rival da Colina não vê problemas em pagar a multa rescisória de 300 mil dólares (cerca de R$ 1,5 milhão). A notícia caiu como uma bomba em General Severiano. Após o vazamento, Franclim conversou com a diretoria do Fogão, confirmou o interesse e afirmou que a resolução ficaria a cargo dos clubes.

Contudo, há uma reviravolta digna de um clássico: o próprio treinador não estaria totalmente confiante em assinar com o Vasco, devido à enorme instabilidade jurídica que assola o futebol do rival, com o afastamento de Pedrinho da SAF. Uma ironia do destino que, por ora, pode manter nosso técnico conosco. A apreensão, no entanto, permanece no ar.

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Ajustes no Elenco e a Polêmica Viagem Cancelada

Dentro do planejamento de futebol, algumas decisões importantes foram tomadas. O goleiro Neto, que tinha um dos maiores salários do elenco e não estava mais nos planos, teve seu contrato rescindido em comum acordo, um movimento necessário para a saúde financeira do clube.

Outra grande polêmica foi o cancelamento da intertemporada na Rússia. Após todo o planejamento de viagem e amistosos contra CSKA e Dínamo Moscou, o Botafogo recuou. A justificativa oficial foi a alteração no calendário do Brasileirão. Porém, os bastidores, apurados pelo ge, contam outra história.

O elenco teria questionado a diretoria sobre a logística e, principalmente, a decisão de ir a um país em guerra. Os jogadores argumentaram que o CT do clube oferece estrutura de ponta, diminuindo a necessidade de uma viagem tão complexa. A decisão, claro, não agradou os clubes russos, que já avisaram que tomarão “as medidas necessárias”. Mais um incêndio para a diretoria apagar.

A Estrela Brilha na Escuridão

Trinta dias. Um mês sem a alegria do gol, sem a emoção da arquibancada. Mas um mês que provou, mais uma vez, que ser Botafogo é viver em intensidade máxima, dentro e fora de campo. As batalhas são muitas, os inimigos são poderosos, e a incerteza é uma companheira constante. Mas a Estrela Solitária já enfrentou noites mais escuras e sempre voltou a brilhar. Agora, mais do que nunca, é hora de fé. Porque, no fim das contas, Botafogo é isso aí.

Informações com base em reportagem do ge.globo.com.