FIM DA LINHA! John Textor é DESTITUÍDO e assembleia define novo conselho no Botafogo

É oficial: John Textor foi destituído do conselho da SAF. Um terremoto em General Severiano que encerra uma era e define um novo futuro para o Fogão.

John Textor foi afastado da SAF Botafogo (Foto: Mauro Pimentel/AFP)

A Promessa de 100 Milhões de Euros e a Muralha Social

A poeira da destituição de John Textor do Conselho de Administração da nossa SAF mal havia assentado e uma nova bomba explodiu em General Severiano. Na última segunda-feira (29/6), o agora ex-controlador foi às redes sociais para revelar uma cartada dramática: uma tentativa frustrada de injetar 100 milhões de euros no Glorioso através de empréstimos. O plano, no entanto, esbarrou na muralha do clube social, que não deu sua assinatura.

Em documentos publicados pelo próprio empresário, a operação foi detalhada. Textor, agindo como presidente do conselho ao lado dos também destituídos Kevin Weston e Jordan Eliott Fiksenbaum, aprovou uma primeira parcela de 50 milhões de dólares. O dinheiro viria de uma fonte no mínimo nebulosa: a Almax Sports Management, uma empresa registrada nas Ilhas Virgens Britânicas.

Como era de se esperar, a manobra não recebeu o aval do Botafogo Social, presidido por João Paulo Magalhães Lins, nem a assinatura do interventor Eduardo Iglesias, que hoje comanda a operação da SAF. A segunda metade do montante, outros 50 milhões, viria como um financiamento DIP, um tipo de empréstimo de emergência para empresas em recuperação judicial. Mas foi a origem da primeira parcela que acendeu todos os alarmes e revelou um parceiro bastante conhecido e controverso no mundo do futebol.

Almax: A Empresa Fantasma por Trás do Dinheiro

Quem é a Almax Sports Management? O nome pode não dizer muito ao torcedor comum, mas seu histórico é um roteiro de filme de suspense financeiro. Criada em 2013, a empresa foi um dos principais alvos do “Football Leaks”, o mega vazamento de documentos que, em 2016, expôs as entranhas mais obscuras das transações do futebol europeu.

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A Almax esteve no centro de operações financeiras consideradas duvidosas, funcionando como um braço financeiro para um nome que causa arrepios: o empresário anglo-iraniano Kia Joorabchian. A empresa foi apontada como uma fachada para ocultação de lucros e, pior, para a prática de “Third-Party Ownership” (TPO) — a apropriação de direitos econômicos de jogadores por terceiros, algo que a FIFA proibiu expressamente em março de 2015.

O povo do Fogão precisa entender a gravidade disso. Estávamos a uma assinatura de distância de nos envolvermos com uma entidade de reputação manchada nos maiores palcos do esporte.

Do Football Leaks ao Nosso Glorioso: Um Histórico de Polêmicas

Os exemplos do modus operandi da Almax são assustadores. Um dos casos mais famosos revelados pelo Football Leaks foi a polêmica transferência de Neymar para o Barcelona. A Almax teria participado da engenharia financeira que rendeu um ganho estimado em mais de R$ 180 milhões entre a assinatura e o fim do contrato, de 2013 a 2018.

Mais perto de nós, e de forma ainda mais chocante, está o caso de Kenedy, ex-jogador do nosso rival Fluminense. Segundo uma matéria da revista italiana “L’Espresso” de dezembro de 2016, não foi o clube das Laranjeiras quem vendeu o atleta para o Chelsea. Quem fez a venda e lucrou foi a Almax Sports Management. A empresa era uma peça central em operações suspeitas envolvendo gigantes como Chelsea, Milan e Inter de Milão.

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Essa é a parceira que John Textor tentou trazer para dentro da nossa casa. Uma empresa acusada de ser um veículo para burlar regras e sugar recursos que deveriam pertencer aos clubes. A Estrela Solitária não pode e não deve se misturar a esse tipo de escuridão.

Kia Joorabchian: O Velho Conhecido e Seus Tentáculos no Fogão

A conexão entre John Textor e Kia Joorabchian não é nova. A relação dos dois é próxima e focada em negócios no futebol. Recentemente, o próprio Kia, em conjunto com outro parceiro de Textor, Evangelos Marinakis, apresentou uma proposta para comprar as ações da nossa SAF. A mística alvinegra não é balcão de negócios!

Para adicionar mais uma camada de preocupação a essa teia, outra empresa ligada a esse universo, a Sports Invest UK LTDA, consta na lista de credores da recuperação judicial do Botafogo, com um débito que ultrapassa os R$ 20 milhões. As peças se encaixam de uma forma que nos deixa, fiéis da Estrela, de cabelo em pé.

A recusa do clube social em assinar esse cheque em branco foi mais do que um ato administrativo; foi um ato de proteção. Proteção à nossa história, à nossa credibilidade e ao nosso futuro. A pergunta que fica no ar, ecoando por General Severiano, é dolorosa: que tipo de futuro John Textor estava desenhando para o nosso Glorioso? Botafogo é isso aí: uma paixão que vigia e protege seu maior patrimônio, o próprio clube.