A VERDADE REVELADA! Ex-diretor do Fogão abre o jogo sobre saídas de ídolos: ‘SOBREVIVÊNCIA!’

Ex-diretor do Fogão, Alessandro Brito revela em detalhes por que o clube precisou vender Marlon, Barboza e Savarino. A verdade é dura: foi por sobrevivência.

Alessandro Brito, ex-diretor de gestão esportiva do Botafogo — Foto: Letícia Marques / ge

A ferida que não fechava: por que eles partiram?

A alma botafoguense ainda sentia o eco da ausência. A saída de pilares como Marlon Freitas, Alexander Barboza e Savarino deixou um vácuo no gramado e um nó na garganta da torcida alvinegra. Eram mais que jogadores; eram símbolos de uma era, líderes de um vestiário que sonhava alto. Agora, a verdade, dura e cortante como o mais cruel dos desarmes, vem à tona. Em entrevista reveladora ao ge, o ex-diretor de gestão esportiva do Botafogo, Alessandro Brito, rasgou o silêncio e entregou a única palavra que justifica o desmanche: ‘sobrevivência’.

Não foi por falta de vontade. Não foi por planejamento equivocado. Foi pela mais primitiva das necessidades de um clube que sangrava financeiramente. Brito, que esteve no coração da SAF desde 2022, escancarou a crise que assolava General Severiano e obrigou a diretoria a tomar as decisões mais dolorosas.

“A saída dos três é muito clara para nós: foi uma questão de sobrevivência”, cravou o ex-dirigente, numa frase que ecoa como um trovão nos corredores do Nilton Santos. A Estrela Solitária, por um momento, precisou se apagar para não deixar de existir.

Caminhando com as Próprias Pernas: A Crise da SAF

Alessandro Brito detalhou um cenário de caos e incerteza. O ano de 2023 foi marcado por uma instabilidade profunda, com dívidas se acumulando, salários ameaçados de atraso e até punições da Fifa que impediam o Glorioso de registrar novos guerreiros para a batalha. A promessa de aportes e investimentos pairava no ar, mas a realidade era outra.

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“Dentro desse momento de indefinição que vivíamos, e que ainda vivemos, sobre se entra aporte ou não, se vem investidor ou não, se continua John ou não, o Botafogo caminhou com as próprias pernas”, explicou Brito. E para um gigante como o Fogão caminhar sozinho, o caminho é íngreme e doloroso.

A receita era clara e cruel. Sem o dinheiro de um investidor jorrando nos cofres, as fontes de renda se resumiam a três pilares: direitos de televisão, patrocínios e, a mais dolorosa de todas, a venda de jogadores. “O que o clube podia fazer era vender jogadores para sobreviver e manter os compromissos em dia”, confessou o ex-diretor.

Os Milhões que Partiram o Coração Alvinegro

Cada negociação foi uma facada no peito do povo do Fogão, mas os números revelam a necessidade urgente que o clube enfrentava. As saídas, somadas, injetaram um fôlego financeiro essencial para que o Botafogo pudesse honrar seus compromissos.

Vamos aos fatos, torcedor, por mais que doam:

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  • Marlon Freitas: O primeiro a dizer adeus, em dezembro, rumo ao Palmeiras. A transação rendeu 6 milhões de dólares, o que na época representou cerca de R$ 33 milhões para os nossos cofres.
  • Savarino: O ponta veloz foi negociado com o rival Fluminense. A venda girou em torno de 4 milhões de euros (aproximadamente R$ 23 milhões), além da chegada do jovem Wallace Davi para General Severiano.
  • Alexander Barboza: O xerife da zaga também tomou o rumo do Palmeiras, em uma negociação de 4 milhões de dólares, convertidos em cerca de R$ 20 milhões.

Somando os valores, foram mais de R$ 76 milhões que entraram para estancar a sangria. Um dinheiro que não foi para luxo ou contratações bombásticas, mas para pagar salários de jogadores, funcionários e todo o staff. Foi o preço da dignidade, pago com a nossa paixão.

Mais que Atletas: A Liderança Perdida no Vestiário

Se a perda técnica foi imensa, a ausência de Marlon e Barboza no vestiário foi talvez ainda mais sentida. Brito fez questão de ressaltar o papel monumental que ambos desempenhavam para além das quatro linhas. Eles eram a alma e a voz de comando do elenco.

“Marlon e Barboza, nem se fala pela questão da liderança que tinham, não somente dentro de campo, mas também no vestiário”, destacou o ex-dirigente. Ele os descreveu como exemplos vivos de profissionalismo, os primeiros a chegar para o treino e os últimos a ir embora. Uma dedicação que inspirava e cobrava.

A cena descrita por Brito é de arrepiar: os veteranos cobrando os mais jovens. “Falavam: ‘Estou aqui com meus 30, 32 anos, sou o primeiro a chegar e o último a sair. Você é mais jovem e já quer sair antes de todo mundo?’”. Era uma liderança saudável, positiva, que moldava o caráter dos garotos da base. Perder isso não tem preço.

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A venda, portanto, não foi apenas a perda de um volante marcador, um zagueiro imponente e um atacante habilidoso. Foi a perda de referência, de exemplo, de uma parte da espinha dorsal que sustentava a mística alvinegra no dia a dia.

O Fim de um Ciclo e o Futuro do Glorioso

O próprio Alessandro Brito encerrou sua jornada no Botafogo no final de maio, por decisão própria, sentindo que seu ciclo havia chegado ao fim. Sua passagem, iniciada com a própria SAF em 2022, foi marcada por essa reconstrução dolorosa, mas necessária.

A explicação sobre as vendas joga luz sobre os desafios que o modelo de clube-empresa ainda enfrenta no Brasil e, principalmente, no nosso Glorioso. A dependência de um único investidor cria uma fragilidade que, em momentos de crise, cobra seu preço da forma mais cruel: arrancando ídolos dos braços da torcida.

Saber a verdade não diminui a dor da perda, mas nos ajuda a compreender a complexidade da situação. O Botafogo sobreviveu. Agora, cabe a nós, fiéis da Estrela, continuar apoiando, cobrando e empurrando o time. Porque o Botafogo é isso aí: uma paixão que resiste a todas as tempestades, sempre pronto para ver sua estrela brilhar novamente.

Informações com base em reportagem do ge.globo.com.