A Bomba que Estremeceu General Severiano
A paciência acabou. Em um pronunciamento que ecoa como um trovão nos corredores de General Severiano, John Textor, mesmo afastado do comando da SAF, mandou um recado direto, duro e sem margem para interpretações: a instituição Botafogo está acima de qualquer vaidade individual. O alvo? Danilo, a contratação mais cara da história do Glorioso, que agora flerta abertamente com a ingratidão.
As palavras de Textor não foram apenas uma entrevista. Foram um manifesto. Um grito de quem viu o clube apostar todas as fichas em um atleta e agora se sente traído pela sua postura. Danilo, que custou impressionantes 22 milhões de euros, pediu para não jogar. Pediu para não completar o 13º jogo pelo Fogão no Brasileirão, um movimento calculado para facilitar uma transferência para rivais como Flamengo ou Palmeiras. Uma facada no coração da torcida alvinegra.
‘Você tem que honrar suas obrigações’: A Fúria de Textor
Para o povo do Fogão, que vive e respira a Estrela Solitária, a lealdade não é negociável. E foi exatamente nesse ponto que Textor tocou. Ele lembrou a Danilo tudo o que o Botafogo representa e o que fez por ele. Uma cobrança pública, ríspida, mas necessária.
“Ele (Danilo) precisa entender. Pagamos muito dinheiro por ele, assinamos com ele quando ninguém mais assinaria, o apresentamos para o filho do técnico da Seleção (Davide Ancelotti) e agora ele está na Seleção”, disparou Textor, relembrando a aposta alta que o clube fez. A parte mais dura veio em seguida: “Você não pode pedir para sair porque você quer jogar no Palmeiras ou em qualquer outro clube. Você tem que honrar suas obrigações e sua lealdade ao clube que arriscou tudo por você quando ninguém mais faria. Você não pode forçar sua saída”.
A fala de Textor é um hino à soberania do clube. Ele deixou claro que, se estivesse no comando, a situação seria outra. “Se ele diz que quer ir para o Palmeiras, você o coloca no banco, não deixa ele jogar de novo, não importa o quanto os torcedores achem que ele é bom, até você chegar à negociação que você acha que é boa”, afirmou, categórico. “Danilo precisa respeitar seu compromisso com o clube. Ele nunca deveria ter pedido para não jogar. Se eu estivesse no comando, isso não aconteceria”.
A Negociação Secreta com o Nottingham Forest
Textor também abriu a caixa-preta de uma negociação que quase aconteceu no início do ano. Uma transação complexa com o Nottingham Forest, da Inglaterra, que envolveria Danilo e a joia Montoro, e que foi vetada na Justiça pelo clube social. O empresário revelou os bastidores do que teria sido um movimento estratégico.
“Vamos falar sobre as histórias que eles contaram, os 34 milhões que iam entrar vinham dos interesses econômicos de dois atletas: Danilo e Montoro”, explicou Textor. O plano era engenhoso: “Era para transferir os dois para o Nottingham Forest no tempo das regras da Fifa e trazê-los de volta imediatamente para ficarem até o fim do ano (no Botafogo)”.
O dono da SAF ainda valorizou o ativo que tinha em mãos, mesmo com o histórico de recuperação do jogador. “Nós vemos ele como um jogador de 46 milhões, ele é incrível. O mercado tem muitas perguntas para ele, precisam o ver jogando”, disse, antes de revelar a genialidade do acordo proposto: “Esse contrato que nós fizemos com o Nottingham Forest nos deu o direito de manter o jogador e, se ele valorizasse, o comprar de volta”. Uma jogada de mestre que, segundo ele, foi barrada sem sequer uma ligação.
‘Eu queimaria o melhor atleta para salvar o clube’
O ápice da fúria e da defesa intransigente do Botafogo veio em uma frase que deveria ser emoldurada. Questionado sobre o futuro, Textor não hesitou em colocar o clube acima de qualquer cifra, de qualquer jogador, por mais valioso que seja.
Lembrando que Danilo foi contratado em julho de 2025 por 22 milhões de euros, e que seu valor hoje pode chegar a 40 milhões de euros, Textor foi questionado sobre uma possível venda por um valor menor, como 25 milhões de euros para o Palmeiras. A resposta foi avassaladora.
“Ele tem contrato. Eu não preciso negociá-lo. Eu posso enterrar com a carreira de um jogador antes de comprometer os interesses do meu clube. Eu queimaria o melhor atleta do mundo para salvar o meu clube”, declarou. E completou, com uma resignação amarga: “O que vai acontecer agora? Ele vai acabar no Palmeiras, se eles quiserem. Alguém vai aceitar 25 milhões de euros. Eu queimaria esse dinheiro para salvar o meu clube”.
Essa é a mentalidade que a torcida alvinegra exige. O recado está dado. A camisa do Glorioso pesa, e quem não estiver disposto a honrá-la até o fim não serve para carregar a Estrela Solitária no peito. O futuro de Danilo é incerto, mas uma coisa ficou clara: o Botafogo é, e sempre será, maior do que qualquer um.
Informações com base em reportagem do ge.globo.com.