A noite de domingo (17) no Estádio Nilton Santos foi um espetáculo de futebol e alma alvinegra. Uma vitória maiúscula do Botafogo por 3 a 1 sobre o Corinthians, com uma atuação de gala do nosso matador, Arthur Cabral, que guardou três bolas na rede. Mas, para alguns, a derrota é um prato amargo demais para ser engolido sem uma boa dose de choro e desculpas. E o técnico do Corinthians, Fernando Diniz, serviu um banquete de lamentações na coletiva de imprensa.
Incapaz de aceitar a superioridade tática e técnica do Glorioso, Diniz elegeu um vilão para a sua derrota: o gramado sintético do nosso caldeirão. Em um discurso que beirou o patético, o treinador tentou diminuir a noite mágica de Arthur Cabral e justificar a apatia de seu próprio time.
A desculpa esfarrapada para o baile do Fogão
O roteiro é antigo e conhecido por todo torcedor. Quando o talento fala mais alto em campo, o perdedor procura culpados fora dele. Para Diniz, a grama do Niltão foi a grande responsável pelo placar. “Em relação à grama sintética, eu sou um crítico quanto mais, muda o jogo”, iniciou o treinador, já preparando o terreno para as justificativas.
Segundo ele, seus jogadores não conseguiram se adaptar. A desculpa da vez foi personificada em um de seus atletas. “A gente errou muita coisa, o Jesse (Lingard), por exemplo, não se achou no jogo muito por conta do campo, você perde o timing”, afirmou. É, no mínimo, curioso que um time profissional, que disputa o campeonato mais rico do país, não consiga se adaptar a uma superfície que é realidade em diversos estádios do Brasil e do mundo.
Rei Arthur na mira do choro: ‘Quando ele vai acertar isso na grama?’
O ponto mais baixo da coletiva de Diniz, no entanto, foi quando ele tentou, de forma inacreditável, desmerecer a atuação de gala de Arthur Cabral. O nosso Rei, autor de um hat-trick, foi o alvo direto da frustração do técnico adversário. Em uma pergunta retórica carregada de despeito, Diniz questionou a genialidade do nosso atacante.
“E os benefíficos que traz para quem é acostumado são grandes, quando o Arthur Cabral vai acertar dois chutes, como hoje, em um campo de grama natural, é muito difícil”, disparou. A fala de Diniz não é apenas um choro de mau perdedor, é um atestado de incapacidade de reconhecer o mérito alheio. Os gols de Cabral, Nação Alvinegra, não foram obra do acaso ou do gramado. Foram fruto de talento, posicionamento e uma finalização que poucos no Brasil possuem.
Diniz completou sua análise enviesada. “Praticamente todos os chutes que erramos de fora da área, eles (Botafogo) acertaram, muda muito o jogo”. Sim, Diniz, muda o jogo. Chama-se competência. Chama-se Botafogo.
A dor de cotovelo com o ‘tapetinho’ do Niltão
A cruzada de Fernando Diniz contra o nosso estádio continuou. Ele comparou o campo do Botafogo com uma versão antiga do gramado do Palmeiras, alegando que a grama está “muito rala” e o campo “muito duro”. Para ele, a solução seria proibir a grama sintética no Brasil, um luxo que, segundo o próprio, só seria dispensável em países sem recursos.
“Na minha opinião, no Brasil, não tinha que ter gramado sintético”, decretou. “Interfere e beneficia muito quem está acostumado. (…) tinha que ter uma obrigatoriedade, de tamanho, de qualidade de campo, para não ter essa distorção que tem porque muda o jogo”. O que Diniz chama de distorção, nós, o povo do Fogão, chamamos de fator casa. É a força do nosso caldeirão, um lugar onde a Estrela Solitária brilha mais forte e os adversários sentem o peso da nossa camisa.
A realidade dói: Corinthians no Z4 e o Glorioso voando
Enquanto Diniz gastava seu tempo atacando o Botafogo, a realidade batia à sua porta. A derrota no Rio de Janeiro empurrou o Corinthians de volta para a zona de rebaixamento. Uma situação que o próprio técnico classificou como desesperadora. “O incômodo é muito grande. É uma situação horrorosa, terrível, que não podemos permitir mais o Corinthians de ficar nessa situação, é uma coisa muito desgostosa, muito ruim mesmo, pesa muito”, desabafou.
Em campo, a história foi clara. O jogo até começou equilibrado, com Arthur Cabral abrindo o placar e Garro empatando nos primeiros 10 minutos. Mas a mística alvinegra prevaleceu. O Rei Arthur estava insaciável e, com mais dois gols, selou o destino da partida, garantindo uma vitória incontestável para o Glorioso.
A verdade, Diniz, é que não foi o gramado. Foi o talento de Arthur Cabral. Foi a organização do Botafogo. Foi a força de uma torcida que joga junto. O choro é livre, mas os três pontos ficam em General Severiano. E enquanto alguns procuram desculpas, o Fogão segue seu caminho, olhando para cima, onde a Estrela Solitária pertence.
Informações com base em reportagem do www.espn.com.br.