A BATALHA PELA NOSSA HISTÓRIA COMEÇOU
A respiração do torcedor alvinegro está suspensa. Em um misto de alívio e apreensão, a Justiça do Rio de Janeiro bateu o martelo e acendeu uma luz no fim do túnel para o nosso Glorioso. Na última quinta-feira (14), a 2ª Vara Empresarial da Capital, na figura do juiz Marcelo Mondego de Carvalho Lima, aprovou o pedido de recuperação judicial da SAF do Botafogo. É o início oficial de uma guerra pela sobrevivência, uma corrida contra o tempo para honrar a Estrela Solitária.
Os números são assustadores, povo do Fogão. A dívida declarada e sujeita a este processo é de R$ 1,286 bilhão. É uma cifra que pesa, que sufoca, mas que agora, pela primeira vez, temos um caminho legal para enfrentar de peito aberto. O pedido foi feito por conta do “grave cenário financeiro” que a nossa SAF atravessa, uma tempestade perfeita de transfer bans da Fifa e obrigações financeiras vencendo sem que houvesse caixa para cobrir.
180 DIAS DE BLINDAGEM: O ESCUDO DO GLORIOSO
Com a decisão judicial, o Botafogo entra no que os homens da lei chamam de “stay period”. Para nós, fiéis da Estrela, são 180 dias de blindagem. Durante seis meses, o clube está protegido. Execuções, bloqueios de contas, penhoras e qualquer apreensão de bens estão suspensas. É o fôlego que precisávamos, um escudo para que a diretoria possa trabalhar sem a ameaça constante de ter nossas finanças paralisadas a cada dia.
Essa medida é crucial e impede até mesmo que atletas e fornecedores rescindam seus contratos ou paralisem serviços. A engrenagem, por mais combalida que esteja, precisa continuar girando. É a garantia de que o time que entrará em campo representa um clube que está lutando para se reerguer, não um que está se desfazendo.
O PLANO DE SALVAÇÃO: 60 DIAS PARA MOSTRAR O CAMINHO
O relógio já está correndo. A partir de agora, a SAF alvinegra tem exatos 60 dias para apresentar o seu Plano de Recuperação Judicial. Este documento é o mapa do tesouro, ou melhor, o mapa para sair do buraco. Nele, o clube terá que detalhar, centavo por centavo, como pretende pagar a montanha de R$ 1,286 bilhão.
Prazos, descontos, parcelamentos e, o mais importante, a comprovação de que o plano é viável. É preciso mostrar que o Botafogo tem capacidade de gerar receita e cumprir o que prometer. E vale lembrar que o passivo total da SAF é ainda maior, superando os R$ 2,5 bilhões, com uma parte que não entra neste processo e seguirá sendo cobrada à parte.
Depois de apresentado, o plano vai para a votação dos credores. Se a maioria aprovar, o Fogão inicia a longa jornada de pagamentos. Se rejeitarem… o cenário é a falência. Um fantasma que assombra, mas que, felizmente, ainda não se materializou para nenhum clube de futebol no Brasil que tenha passado por esse processo.
A SOMBRA DA FIFA E O RISCO NO BRASILEIRÃO
A recuperação judicial nos dá um escudo na justiça brasileira, mas não nos protege das punições internacionais. As sanções impostas pela Fifa continuam valendo. O Botafogo segue com três “transfer bans” que nos impedem de registrar novos jogadores. As dívidas são referentes às contratações de Rwan Cruz (junto ao Ludogorets) e Santi Rodríguez (junto ao New York City FC), além de um débito com o Atlanta United FC.
E é essa última que mais nos preocupa no curto prazo. A pendência com o Atlanta United, de cerca de 25 mil (a moeda não foi especificada na fonte), carrega uma ameaça gravíssima: a perda de seis pontos no Campeonato Brasileiro. Em um campeonato tão disputado, isso seria uma punhalada. A recuperação judicial é um passo, mas a estrada para a paz financeira ainda é longa e cheia de armadilhas.
NÃO ESTAMOS SOZINHOS NESTA LUTA
Ver o Botafogo nesta situação dói na alma, mas é importante entender que não somos os primeiros. A recuperação judicial tem se tornado um instrumento para a reestruturação de gigantes do nosso futebol. Cruzeiro, Coritiba e até mesmo nosso rival histórico, o Vasco, já trilharam este mesmo caminho espinhoso para tentar colocar as contas em dia.
O que nos distingue é a nossa mística. A nossa capacidade de sofrer, lutar e ressurgir das cinzas. Os próximos 180 dias serão de angústia, de negociações e de muita fé. É a hora de a torcida entender o momento, apoiar o time em campo e vigiar os dirigentes nos bastidores. A batalha pela alma do Botafogo está apenas começando. Que a Estrela Solitária nos guie.
Informações com base em reportagem do www.lance.com.br.