A Mística dos Números: O Início de Franclim Carvalho
O empate contra o Atlético-MG não foi apenas um ponto conquistado na raça. Foi um marco. Ao completar seu décimo jogo no comando do Glorioso, Franclim Carvalho, o homem que herdou a prancheta de seu mestre, atingiu uma marca que arrepia a espinha de qualquer botafoguense supersticioso: um aproveitamento de 63,3%. Exatamente o mesmo que Artur Jorge nos seus dez primeiros duelos.
Coincidência? Destino? No universo da Estrela Solitária, aprendemos que os números contam histórias, sussurram presságios. E a história que eles contam agora é de uma continuidade intrigante. O pupilo, que era auxiliar, hoje espelha o início de seu antecessor, mas com uma jornada própria, com sua própria assinatura.
O Pupilo e o Mestre: Um Destino em Números
Os caminhos para os 63,3% de aproveitamento foram diferentes, como dois rios que chegam ao mesmo mar por leitos distintos. Franclim Carvalho construiu sua marca com mais resiliência, mais empates suados: foram cinco vitórias, quatro empates e apenas uma solitária derrota. Um time que se recusa a morrer.
Já Artur Jorge, em seu início, foi mais direto, mais agudo. Conquistou os mesmos 63,3% com seis vitórias, um único empate e três derrotas. Um estilo de tudo ou nada. O ataque de Franclim também se mostra mais voraz, balançando as redes 20 vezes contra 18 de Artur, embora a defesa tenha sido um pouco mais vazada (12 gols sofridos contra 10).
O que isso significa, povo do Fogão? Significa que o DNA está lá, mas a evolução é visível. Franclim parece ter aprendido as lições, absorvido o conhecimento e agora adiciona seu próprio tempero ao caldeirão alvinegro.
Um Ataque que Incendeia: A Era SAF sob a Lupa
E que tempero! Os 20 gols marcados em dez jogos colocam o Botafogo de Franclim Carvalho como o segundo melhor ataque da Era SAF neste recorte inicial. Uma máquina ofensiva que só fica atrás do furacão chamado Fábio Matias, que em seu período interino viu o time marcar incríveis 26 gols.
Essa comparação nos obriga a olhar para trás, para a montanha-russa de emoções que tem sido o banco de reservas do nosso Fogão. De heróis improváveis a decepções dolorosas, cada comandante deixou sua marca. O levantamento do ge, nosso rival de informação, mas parceiro na paixão pelo fato, nos dá um panorama claro. Veja e compare, torcedor alvinegro:
O Histórico da Era SAF: Os 10 Primeiros Jogos de Cada Técnico
- Fábio Matias: 83,3% de aproveitamento (8 vitórias, 1 empate, 1 derrota) – 26 gols marcados, 9 sofridos
- Davide Ancelotti: 66,6% de aproveitamento (6 vitórias, 2 empates, 2 derrotas) – 13 gols marcados, 4 sofridos
- Franclim Carvalho: 63,3% de aproveitamento (5 vitórias, 4 empates, 1 derrota) – 20 gols marcados, 12 sofridos
- Artur Jorge: 63,33% de aproveitamento (6 vitórias, 1 empate, 3 derrotas) – 18 gols marcados, 10 sofridos
- Bruno Lage: 60% de aproveitamento (4 vitórias, 6 empates) – 16 gols marcados, 7 sofridos
- Luís Castro: 60% de aproveitamento (5 vitórias, 3 empates, 2 derrotas) – 17 gols marcados, 9 sofridos
- Renato Paiva: 46,67% de aproveitamento (4 vitórias, 2 empates, 4 derrotas) – 12 gols marcados, 6 sofridos
- Tiago Nunes: 46,6% de aproveitamento (3 vitórias, 5 empates, 2 derrotas) – 11 gols marcados, 9 sofridos
- Martín Anselmi: 40% de aproveitamento (4 vitórias, 6 derrotas) – 13 gols marcados, 12 sofridos
- Carlos Leiria: 40% de aproveitamento (4 vitórias, 6 derrotas) – 11 gols marcados, 13 sofridos
- Lúcio Flávio (8 jogos): 33,3% de aproveitamento (2 vitórias, 2 empates, 4 derrotas)
(Observação: Cláudio Caçapa, com 100% em 4 jogos, não entrou na amostragem do levantamento pela quantidade de partidas)
A Sombra de Anselmi e a Luz da Esperança
Olhar para essa lista é entender o alívio que sentimos. Franclim chegou para apagar o incêndio deixado por Martín Anselmi, cujo início foi um dos mais trágicos da nossa história recente, com dolorosas seis derrotas em dez jogos e um aproveitamento de apenas 40%. A chegada de Franclim não foi apenas uma troca de nomes, foi uma injeção de ânimo, um resgate da alma competitiva.
Os números, frios para alguns, são para nós, fiéis da Estrela, um mapa de nossas dores e alegrias. O início de Franclim Carvalho nos dá mais do que pontos na tabela; nos dá esperança. A esperança de que, talvez, a busca incessante por um comandante que entenda a mística alvinegra tenha chegado ao fim. Que esses números sejam o alicerce de uma era de glórias e estabilidade. O Botafogo merece. Nós merecemos.
Informações com base em reportagem do ge.globo.com.