Um Susto no Templo Sagrado
A noite de terça-feira no Estádio Nilton Santos tinha tudo para ser uma celebração da nossa base, mas o futebol, esse roteirista maluco, nos pregou uma peça. O Botafogo Sub-17 dominava o Juventude. A bola era nossa, o campo era nosso, o ritmo era nosso. Mas, como todo botafoguense sabe, dominar não é vencer. E no apagar das luzes do primeiro tempo, o golpe. Uma falta na entrada da área e um nome que não nos esqueceremos tão cedo: Kauã Negri. A cobrança foi precisa, a bola morreu no nosso barbante. 1 a 0 para eles. Um silêncio gelado pairou sobre o nosso templo, um sentimento amargo que conhecemos bem demais.
Ir para o vestiário perdendo em casa, depois de ser superior, é um teste para o espírito. É nesses momentos que se separam os meninos dos homens, os times comuns das equipes que vestem a camisa mais pesada do futebol mundial. A torcida alvinegra, mesmo que presente em espírito, sentiu a pontada. Seria mais uma daquelas noites? A resposta, meus amigos, viria de forma avassaladora.
A Estrela Solitária Brilha na Base
O técnico Douglas Coelho, um nome a se guardar, não estava para brincadeira. As alterações no intervalo mostraram que o recado foi dado. Era hora de mostrar quem manda em General Severiano. E bastaram cinco minutos da etapa final para o universo voltar ao seu eixo. Pedro Pit, com a visão de um veterano, descolou um cruzamento açucarado para Luiz Alberto, que não perdoou. 1 a 1! O grito de gol entalado na garganta finalmente explodiu.
Mas a noite não era sobre o empate. Era sobre o retorno de um predestinado. Lucas Emanuel, a joia que acabara de estrear com gol no time profissional, estava de volta à sua categoria. E ele voltou com fome, com a fúria de quem sabe que seu lugar é sob os holofotes. Foi então que o show começou.
A mística alvinegra se materializou em seus pés. Recebendo um passe genial de Gustavo Santiago, Lucas Emanuel mostrou a calma dos grandes. Um toque, um olhar, e a bola no fundo da rede. A virada! 2 a 1! O Nilton Santos, mesmo vazio, parecia pulsar com a energia de uma final de campeonato. O futuro do Fogão estava ali, diante dos nossos olhos, virando um jogo que parecia perdido.
Uma Goleada para Lavar a Alma
E quem disse que ele estava satisfeito? Um predestinado nunca está. Pouco tempo depois, a parceria se repetiu. Gustavo Santiago, outro nome para ficarmos de olho, encontrou Lucas Emanuel novamente. O garoto, com a confiança de um artilheiro nato, acertou um chute rasteiro, venenoso, no canto. O goleiro gaúcho só pôde observar a bola beijar as redes. 3 a 1! O segundo dele na partida, um recado claro para o futebol brasileiro: há uma nova estrela brilhando em General Severiano.
O Juventude já estava nocauteado, sem entender o trator que os atropelou. E para fechar a conta com a pompa que a noite merecia, veio a obra de arte. Pedro Pit, que já havia dado uma assistência, resolveu mostrar que também sabe marcar. E como! Numa cobrança de falta lateral, ele mandou uma bola cheia de curva, cheia de veneno, que enganou o goleiro e morreu no gol. Um golaço! 4 a 1! A fatura estava liquidada.
O placar elástico permitiu à comissão técnica rodar o elenco, administrar o resultado e confirmar uma vitória fundamental. Três pontos que não são apenas números. São a afirmação de um trabalho, a prova de que nossa base vive e pulsa forte. Com o triunfo, o Glorioso chegou aos 19 pontos, colando de vez no G-8 do Brasileirão Sub-17. A classificação para o mata-mata está cada vez mais perto, e com um talento como Lucas Emanuel, podemos sonhar. E como é bom sonhar em preto e branco.
Informações com base em reportagem do www.lance.com.br.