A dor da eliminação tem nome e sobrenome
O apito final no Nilton Santos foi como uma facada no peito de cada botafoguense. O grito de “time sem vergonha” que ecoou das arquibancadas traduziu uma frustração que vinha se desenhando há dias. A eliminação na Copa Sul-Americana não foi um acidente de percurso; foi uma crônica de uma morte anunciada, um roteiro de tragédia escrito em dois atos, de Cusco ao Rio de Janeiro.
Sim, houve o gol de Danilo Pereira, aos dez minutos, que acendeu a chama da esperança e fez o povo do Fogão acreditar que a mística da Estrela Solitária operaria mais um milagre. Mas a chama, frágil, foi soprada por um vendaval de incompetência, azares e decisões questionáveis que nos custaram o sonho continental.
O Pecado Original: A Escolha de Franclim Carvalho
Tudo começou na altitude. Como se pode, em sã consciência, expor um time em 3.500 metros de altura contra um adversário visivelmente inferior? A escolha tática de Franclim Carvalho na partida de ida foi o pecado original, a semente da nossa desgraça. Um Botafogo aberto, vulnerável, que se tornou presa fácil onde deveria ter imposto sua superioridade.
A fatura chegou, e foi cara. A derrota, somada à análise de um trabalho que nunca convenceu, custou o cargo do técnico português. Uma demissão inevitável, mas que já chegava tarde demais para salvar nossa campanha na Sul-Americana.
A Noite da Incompetência: Chances Desperdiçadas no Nilton Santos
Com o interino Rodrigo Bellão no comando, o Glorioso foi para o tudo ou nada. E, por incrível que pareça, o time criou. Criou para golear. Criou para reverter o placar com sobras. Mas o que se viu foi um festival de chances perdidas que beirou o inacreditável. A bola puniu, como sempre pune quem não a trata com o devido respeito.
Foram três oportunidades claras desperdiçadas por Arthur Cabral, que viveu uma noite de pesadelo e saiu como um dos mais criticados. Vitinho também teve a sua e não conseguiu converter. Não faltou vontade, é preciso dizer. Vimos um time correndo, lutando. Mas no futebol, só vontade não basta. Faltou qualidade, precisão, a frieza necessária para decidir um confronto de mata-mata.
Enquanto alguns, como Danilo e Cabral, deixavam o campo sob o peso das críticas, outros eram exaltados. Alex Telles e Ferraresi mostraram a garra que a torcida alvinegra tanto preza, mas eram vozes solitárias em meio a um desempenho coletivo decepcionante.
O Apito Inimigo: A Arbitragem que Nos Tirou do Jogo
Como se não bastassem os nossos próprios erros, ainda tivemos que lutar contra o apito. A arbitragem nos dois jogos foi, para ser generoso, questionável. O Botafogo entende que, além do nosso próprio apagão, fomos vítimas de erros claros que influenciaram diretamente no resultado.
Vamos relembrar os fatos para que não fiquem dúvidas:
- Na ida: O equatoriano Augusto Aragon validou um gol de Bandiera aos 19 minutos do primeiro tempo, mesmo após um claro toque no braço do jogador adversário. Um lance que mudou a história do confronto.
- Na volta: O paraguaio Juan Benitez, mesmo após ser aconselhado pelo VAR, anulou um pênalti claro em Alex Telles, marcando uma falta duvidosa de Vitinho na origem da jogada. Uma decisão que selou nosso destino.
E Agora, Glorioso? O Futuro Sob Nova Direção
A dor da eliminação é imensa, mas o Botafogo precisa se reerguer. Sob nova direção no futebol, com a chegada do investidor Gabriel de Alba, da GDA Luma, o clube planeja voltar aos trilhos. O primeiro e mais importante passo é a contratação de um novo técnico. A visão da diretoria é clara: chega de apostas. É hora de buscar nomes consolidados, que entendam o peso da camisa alvinegra e o futebol brasileiro.
A missão, agora, se volta para o Campeonato Brasileiro. É o que nos resta. A luta por melhores colocações e por um final de ano digno. O Glorioso volta a campo na próxima segunda-feira (24), no nosso templo, o Nilton Santos, contra o Athletico-PR. É hora de lamber as feridas, apoiar quem ficou e mostrar que a Estrela Solitária, mesmo ferida, nunca deixa de brilhar. Porque ser Botafogo é isso aí: sofrer com paixão e renascer com glória.
Informações com base em reportagem do www.lance.com.br.