A saudade bate forte no peito do povo alvinegro, mas para John Textor, ela é um combustível. Em uma entrevista bombástica e exclusiva à ESPN, o empresário norte-americano quebrou o silêncio e mandou um recado direto, com a força de um trovão em noite de tempestade em General Severiano: ele vai voltar. E ele tem um plano.
Afastado do comando da nossa SAF desde abril por uma decisão do Tribunal Arbitral da FGV, muitos pensaram que seria o fim da linha. Mas quem conhece a alma botafoguense sabe que desistir não está no nosso vocabulário. E, ao que parece, também não está no de Textor. “Eu sou o dono deste clube […] Posso estar farto, mas não desisto. Eu nunca desisto”, bradou o magnata, com a convicção de quem carrega a Estrela Solitária no peito.
Essas não são palavras vazias. O americano revelou que sua batalha não se resume aos corredores do futebol brasileiro. Ele trava uma guerra em três frentes, com ações judiciais correndo na Inglaterra, nos Estados Unidos e aqui no Brasil para retomar o controle da Eagle Bidco, empresa que detém 90% da nossa casa, o Botafogo.
Segundo ele, as vitórias já começaram a aparecer lá fora, com avanços importantes nos tribunais do Reino Unido e dos EUA. Agora, a expectativa se volta para a justiça brasileira, que, segundo ele, ‘por mais louca que possa parecer às vezes, sempre acerta no final’. É a fé contra a burocracia, a paixão contra o sistema.
GDA E SOCIAL NA MIRA: ‘ELES SÃO APENAS CREDORES’
Textor não poupou ninguém. Com a mira afiada, ele desmistificou o papel do grupo GDA Luma, que muitos pintam como os novos donos do Glorioso. Para o americano, a história é outra. “O papel deles [GDA Luma] é o de credor”, afirmou, de forma categórica.
Ele explicou que, a seu pedido, em fevereiro, a GDA e a Hutton Capital investiram US$ 25 milhões. Gabriel de Alba, da GDA, entrou com metade, e a Hutton com a outra. Um empréstimo, nada mais. “Eles [GDA Luma] são apenas credores. (…) A GDA merece receber de volta os empréstimos que fez, mas não merece ser dona do clube. Certamente que não”, sentenciou.
Os ataques mais duros, porém, foram direcionados ao Botafogo Social, hoje comandado por João Paulo Magalhães, um antigo aliado que agora está do outro lado do campo. A relação, que um dia foi de parceria, azedou de vez. “Eu não me comunico mais com o JP (Magalhães). Eu mal o reconheço…”, disparou Textor, deixando clara a ruptura total.
Para o empresário, muitas das informações que vazam para a imprensa vêm diretamente do Clube Social, e ele alerta que não tem visibilidade das finanças do clube atualmente. Uma situação que deixa qualquer torcedor com a pulga atrás da orelha.
‘ELES CHORAM, ASSIM COMO EU CHORO’
Mas a parte mais visceral da entrevista foi quando Textor falou da sua conexão com a gente, o povo do Fogão. Ele descreveu encontros com torcedores que, segundo ele, transbordam de emoção e saudade. Uma cena que só quem é botafoguense entende.
“As pessoas me abraçam. Elas ainda choram, assim como eu choro com elas quando conversamos sobre as ótimas experiências que tivemos e os grandes fracassos e sucessos que vivenciamos”, disse, emocionado. É o Botafogo em sua essência: um clube que se vive na pele, nas lágrimas, na alegria inexplicável e na dor que irmana.
Ele, que se declarou um apaixonado pelo nosso clube, parece ter entendido a mística alvinegra. Ele sabe que ser Botafogo é mais do que torcer; é sentir, é sofrer junto, é celebrar cada pequena vitória como um título mundial. É a prova de que, mesmo distante, o coração dele ainda pulsa em preto e branco.
O CAMINHO DE VOLTA PARA CASA
Questionado sobre como tem passado seu tempo, Textor revelou uma faceta mais tranquila, aproveitando para pescar nas Bahamas e assistir a jogos das categorias de base. Mas a inquietude de quem tem uma missão a cumprir é evidente. Ele não descansa.
A estratégia é clara: provar nos tribunais que ele é o legítimo dono da participação acionária. “A Eagle Bidco reivindica a propriedade. Eu defendi seriamente a minha reivindicação de propriedade. Estou me saindo muito bem nos tribunais do Reino Unido. Eu também tenho uma decisão favorável nos Estados Unidos. É só uma questão de tempo até o Brasil reconhecer minha participação acionária no clube”, detalhou.
A mensagem está dada. John Textor não jogou a toalha. Pelo contrário, ele está mais vivo do que nunca na luta pelo Botafogo. Para a torcida alvinegra, que vive em uma montanha-russa de emoções, as palavras do americano soam como uma promessa. Uma promessa de que o dono não abandonou o barco e está remando com todas as forças para voltar ao leme. A estrela brilha com mais esperança no horizonte.
Informações com base em reportagem do www.espn.com.br.