‘O lance do Danilo é um escândalo para mim’
A noite de domingo, que deveria ser de recuperação, transformou-se em mais um capítulo da nossa dolorosa via-crúcis. Em pleno Barradão, o Botafogo não foi derrotado apenas pelo placar de 1 a 0 para o Vitória; fomos vencidos pela incompetência, pela omissão e por aquilo que o nosso técnico, Franclim Carvalho, classificou sem meias palavras: um escândalo. A indignação na voz do comandante alvinegro ecoou o grito preso na garganta de cada torcedor do Fogão.
O epicentro da revolta aconteceu aos 44 minutos do primeiro tempo. Uma entrada brutal, violenta e desleal do lateral Ramon em nosso guerreiro Danilo. Uma jogada que, em qualquer lugar do mundo onde o futebol é levado a sério, resultaria em um cartão vermelho direto. Mas não ali. Não para o árbitro Paulo César Zanovelli. E, o que é pior, não para Daniel Nobre, o homem que comandava o VAR e que, aparentemente, assistia a outra partida.
Franclim, em sua coletiva, foi cirúrgico e visceral. Ele não se escondeu atrás de desculpas. Apontou o dedo para a ferida aberta da arbitragem brasileira. “Eu não sei o que é preciso fazer para expulsar naquele lance, aos 44 minutos. Não sei. E o VAR estava funcionando, porque deram impedimento no lance seguir ao 1 a 0. Bem ajuizado. O pênalti do Huguinho? Bem ajuizado. O lance do Danilo é um escândalo para mim”, desabafou o treinador, com a voz carregada de uma frustração que é nossa também.
A complacência do árbitro de campo poderia ser relevada como um erro de interpretação no calor do momento. Mas a omissão do VAR é inaceitável. “Não sei como o VAR não diz que é vermelho, não sei como não chama o árbitro para analisar. Todos vocês que estão nessa sala, se já viram o lance, vão concordar comigo”, completou Franclim, desafiando a todos com a certeza de quem viu uma injustiça flagrante ser cometida contra o Glorioso.
A Coragem de um Guerreiro: Danilo em Campo, Mesmo em Lágrimas
Enquanto a arbitragem se apequenava, a grandeza de um jogador do Botafogo se agigantava. Danilo, a vítima da agressão, deixou o campo para atendimento com o pé inchado e chorando. Sim, chorando de dor. A imagem de um atleta profissional em lágrimas pela violência sofrida é um soco no estômago de quem ama este esporte.
Mas o que veio a seguir define o que é vestir a camisa da Estrela Solitária. Mesmo com dores lancinantes, Danilo quis voltar. Ele quis lutar. Franclim revelou os bastidores comoventes daquele momento. “O pé estava inchado, o Danilo estava chorando. Não estava só mancando, estava chorando também, estava com dores. Mas, obviamente, ele quer ajudar a equipe, quer ajudar o clube, quer ajudar os companheiros, quer demonstrar que está comprometido com o projeto”, contou o técnico.
Danilo deu sua palavra ao comandante. Garantiu que suportaria a dor, que ficaria em campo pelo time. “Havia a possibilidade de tirarmos o Danilo no intervalo, mas ele me garantiu que queria ajudar, que estava em condições e que suportaria a dor que tinha”, explicou Franclim. Esse é o espírito que queremos ver. A entrega, a raça, o sacrifício pelo escudo que carregamos no peito. Danilo nos representou em sua dor e em sua coragem.
As Mudanças Táticas em Meio ao Caos no Barradão
Além do drama da arbitragem e da bravura de Danilo, Franclim Carvalho precisou gerir o time taticamente em um cenário adverso. Ainda no primeiro tempo, o treinador agiu rápido para evitar um mal maior, sacando Huguinho, que já tinha um cartão amarelo, para a entrada de Junior Santos.
A situação de Danilo, no entanto, foi o grande dilema. Mantido em campo após sua demonstração de comprometimento, o jogador acabou sendo substituído posteriormente, em uma parada única que também envolveu a saída de Medina, que, segundo o técnico, já demonstrava sinais de desgaste físico. A estratégia era clara: manter em campo quem tivesse mais fôlego para buscar uma pressão final, uma virada que a arbitragem nos negava a chance de lutar em igualdade numérica.
“Nós tentamos mantê-lo mais um tempo e, depois, como só tínhamos uma parada, quando fizemos a substituição do Danilo, fizemos também a do Medina, porque estava cansado”, detalhou Franclim, mostrando a complexidade das decisões tomadas sob pressão.
O Impacto da Derrota e o Futuro do Glorioso
Esta derrota na 23ª rodada do Brasileirão não pode ser vista de forma isolada. Ela vem na esteira de um resultado pesado e doloroso contra o Cienciano, pela Copa Sul-Americana. O próprio Franclim reconheceu o impacto emocional que esses reveses causam no elenco e na torcida.
“Quando nós temos um jogo, uma derrota pesada como tivemos na quinta, vocês que estão fora colocam muita coisa em causa. Nós temos que continuar a fazer nosso trabalho”, admitiu o comandante, com a sinceridade de quem sabe o tamanho do desafio. “Sabemos que foi um dia muito difícil para nós, botafoguenses. Não era a imagem que a gente queria deixar”.
Agora, mais do que nunca, é hora de cerrar os punhos e levantar a cabeça. A injustiça dói, a derrota machuca, mas a história do Botafogo é feita de superação. A revolta de Franclim tem que ser o combustível. A coragem de Danilo tem que ser o exemplo. A Estrela Solitária não se apaga com um apito omisso. Ela brilha mais forte na adversidade. A luta continua, povo do Fogão. E nós estaremos aqui, como sempre, para lutar junto.