ALEX TELLES ABRE O CORAÇÃO: ‘O Botafogo precisava de mim, e eu dele’

Ídolo da Estrela Solitária, Alex Telles revela a chegada relâmpago ao Fogão e o 'casamento perfeito' que mudou a história de ambos. Uma declaração de amor!

Alex telles comemora seu gol em Botafogo x Fluminense — Foto: Alexandre Durão

122 Anos de uma Paixão Nascida em um Bilhete

Nesta quarta-feira, 12 de agosto, não celebramos apenas uma data. Celebramos 122 anos do nascimento de uma entidade, de uma força que transcende o esporte. O futebol do Botafogo, nosso Glorioso, nasceu de um sonho de meninos e da sabedoria de uma avó. Uma história que todo botafoguense precisa carregar no peito, um conto que explica a mística alvinegra que nos move.

Tudo começou de forma singela, quase clandestina, como as melhores histórias de amor. Em agosto de 1904, durante uma aula de matemática – talvez o único momento em que os números serviram para criar poesia –, os jovens Flávio Ramos e Emmanuel Sodré trocaram um bilhete. A ideia? Fundar um clube de futebol ali, no coração do Rio, no Largo dos Leões, bairro do Humaitá.

Mal sabiam eles que aquele pedaço de papel era a certidão de nascimento de uma paixão que arrastaria multidões e que faria a Estrela Solitária brilhar no peito de milhões de fiéis.

O Electro Club e a Intervenção Divina

O sonho juvenil ganhou corpo rapidamente. Flávio Ramos encontrou Octávio Werneck na icônica rua Voluntários da Pátria, no bairro de Botafogo, e o convite foi feito. Um clube para garotos de 14 e 15 anos. Na tarde do dia 12 de agosto de 1904, nascia o Electro Club, um nome pragmático, aproveitado de um talão de um clube já extinto.

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Mas o destino do Glorioso não poderia ter um nome tão frio, tão sem alma. A mística alvinegra precisava de um batismo à altura. E ele veio através da figura matriarcal de Francisca Teixeira de Oliveira, avó de Flávio, carinhosamente chamada de Dona Chiquitota.

Em uma reunião na casa de Flávio, cerca de um mês após a fundação, Dona Chiquitota ouviu o nome ‘Electro’ e não hesitou. Com a sabedoria que só as avós possuem, ela reprovou a escolha. Olhou para aqueles meninos e deu o conselho que mudaria tudo: o clube deveria homenagear o bairro onde viviam, um dos cartões-postais da cidade, de beleza natural exuberante. O conselho foi uma ordem do coração. O nome deveria ser… Botafogo.

Os Pais Fundadores da Estrela Solitária

O conselho de Dona Chiquitota foi aceito por aclamação. O Electro Club morria para dar vida ao imortal Botafogo Football Club. Naquele momento, a Estrela Solitária ganhava seu nome de batismo, um nome que ecoaria pelos estádios do Brasil e do mundo. É nosso dever, como povo do Fogão, honrar os nomes dos jovens visionários que deram o pontapé inicial em nossa história:

  • Álvaro Werneck
  • Arthur Cesar de Andrade
  • Augusto Paranhos Fontenele
  • Basílio Viana Junior
  • Carlos Bastos Neto
  • Emmanuel de Almeida Sodré
  • Eurico Viveiros de Castro
  • Flávio da Silva Ramos
  • Itamar Tavares
  • Jacques Raimundo Ferreira da Silva
  • Lourival Costa
  • Octávio Werneck
  • Vicente Licínio Cardoso

Esses homens, inspirados por uma avó, plantaram a semente do Glorioso que conhecemos e amamos. Eles são os pilares da nossa casa, os arquitetos da nossa paixão.

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A Tragédia que Uniu Dois Destinos Gloriosos

A história do Botafogo é feita de glórias, mas também de momentos dramáticos que forjaram nosso caráter. O Botafogo Football Club (fundado em 1904) coexistia com o Club de Regatas Botafogo (fundado em 1894). Eram irmãos, mas competiam.

No dia 11 de junho de 1942, durante uma partida de basquete válida pelo Campeonato Carioca, o destino interveio de forma trágica. O jogador Armando Albano, do Botafogo Football Club, sofreu um infarto fulminante em quadra durante o intervalo. O BFC vencia o jogo por 23 a 21, mas o placar se tornou irrelevante diante da perda.

A dor daquela noite uniu os dois clubes de forma definitiva. Os presidentes Eduardo de Góes Trindade, do Football Club, e Augusto Frederico Schimidt, do Club de Regatas, entenderam que não havia mais sentido em caminhar separados. Em um gesto de grandeza, selaram a fusão. A união foi oficializada em 8 de dezembro de 1942, dando origem ao Botafogo de Futebol e Regatas.

Da dor, nasceu a união. Da união, nasceu a força. A Estrela Solitária, que já brilhava no remo, passou a brilhar também nos gramados, em um só escudo, uma só camisa, uma só alma. É por isso que o Botafogo é isso aí. Uma história de paixão, drama e resiliência. Uma história que começou com um bilhete e foi batizada por uma avó. Feliz 122 anos de futebol, meu Fogão!