A Vitória que Revelou uma Ferida
A alma botafoguense ainda celebrava a vitória contra o Cruzeiro, mas, longe dos holofotes, uma tempestade se formava. O que deveria ser apenas mais uma substituição se transformou no estopim de uma crise que já borbulhava nos corredores de General Severiano. O protagonista? Santi Rodríguez, o guerreiro uruguaio, cuja paciência parece ter chegado ao limite.
O episódio, que agora toma conta de todas as conversas do povo do Fogão, expôs uma insatisfação que a diretoria e a comissão técnica já conheciam, mas que agora se tornou pública, inegável e preocupante.
‘Vai me colocar faltando dez minutos?’
A cena é dramática e diz muito. Durante o aquecimento, o auxiliar Luís Felipe Fernandes chama por Santi. A resposta, inicialmente, foi uma recusa em entrar. Foi preciso a intervenção do experiente Marçal para que o uruguaio cedesse e fosse em direção ao banco.
Mas o silêncio não durou. Ao se aproximar de um membro da comissão técnica, a bomba explodiu em forma de pergunta, carregada de frustração e ironia: “Vai me colocar faltando dez minutos?”. Um questionamento que não é apenas sobre tempo de jogo, mas sobre respeito e reconhecimento.
A resposta oficial do Botafogo foi o silêncio. Contudo, o técnico Franclim Carvalho, em coletiva, admitiu que não sabia do ocorrido, mas prometeu apurar e conversar com os envolvidos. A verdade, no entanto, é que a panela de pressão já estava apitando há muito tempo.
Um Investimento de R$ 85 Milhões no Banco
Para entender a dimensão do problema, é preciso olhar para os números. E eles são gigantescos. Em fevereiro de 2025, o Botafogo desembolsou a bagatela de R$ 85 milhões para trazer Santi Rodríguez. Um investimento de craque, de titular absoluto, de protagonista.
Essa cifra astronômica explica a posição do clube. Meses atrás, o estafe do jogador se reuniu com a diretoria para discutir o futuro e uma saída por empréstimo foi aventada. A resposta do Glorioso foi um sonoro “não”. Com um investimento tão alto, emprestar o atleta está fora de cogitação. A porta está aberta, sim, mas apenas para uma venda em definitivo.
O mercado, claro, está de olho. O ge apurou que o Columbus Crew, dos Estados Unidos, tentou um empréstimo com obrigação de compra, modelo que não agradou ao Alvinegro. Além disso, sondagens do gigante Boca Juniors e de um clube brasileiro da Série A chegaram ao estafe do jogador, mostrando que qualidade não lhe falta.
A Perda de Espaço com Franclim Carvalho
Apesar de toda a tensão, Santi Rodríguez segue integrado ao elenco. Diferente de outros atletas que foram colocados para treinar em separado após a Copa do Mundo, o uruguaio continua nos planos da comissão técnica. Mas que planos são esses?
Os números sob o comando de Franclim Carvalho são cruéis e explicam a frustração do meia. Dos 19 jogos com o treinador português, Santi foi relacionado em 13, mas pisou no gramado como titular em apenas quatro ocasiões. Antes da chegada do mister, o cenário era outro: em dez jogos no ano, havia sido titular em seis.
A minutagem recente é a prova cabal do seu status de “reserva de luxo”. Sem contar os acréscimos, ele jogou irrisórios 26 minutos contra o Santos, 11 contra o Vitória e apenas oito minutos contra o Cruzeiro – o suficiente para gerar a explosão que agora abala o clube.
E Agora, Fogão?
A situação é delicada. De um lado, um jogador talentoso, caro e visivelmente infeliz com a falta de oportunidades. Do outro, um treinador com suas convicções e um clube que precisa proteger um ativo valiosíssimo. A torcida alvinegra, no meio disso tudo, se pergunta: como resolver esse impasse?
Perder um jogador do calibre de Santi Rodríguez por uma questão de gestão de elenco seria um erro fatal. Ignorar a hierarquia e a autoridade do técnico, também. A mística da Estrela Solitária exige união e foco. E você, fiel da Estrela, o que faria? A palavra está com a diretoria e com Franclim, mas o sentimento de urgência é de todo o povo botafoguense.
Informações com base em reportagem do ge.globo.com.