Um Pesadelo na Arena Condá
A noite que deveria ser de classificação virou um roteiro de terror. O Botafogo, nosso Glorioso, entrou em campo na Arena Condá com a vantagem de 1 a 0 construída em casa, no suor da nossa gente. Mas o que se viu nos primeiros 45 minutos contra a Chapecoense foi um pesadelo. Um apagão inexplicável que permitiu aos donos da casa não apenas igualar, mas virar o confronto agregado.
Com gols de Marcinho e Bolasie, a Chapecoense impôs um placar doloroso no primeiro tempo, desfazendo nossa vantagem e jogando um balde de água fria na alma alvinegra. A vantagem que nos dava tranquilidade virou pó. A classificação, que parecia encaminhada, agora pende por um fio. É o tipo de situação que testa o coração do torcedor do Fogão, que vive de paixão e de mística.
Barboza: O Alvo da Fúria Alvinegra
E no centro do furacão, um nome se destacou — e não foi pelos motivos certos. O zagueiro Barboza, que inacreditavelmente carregava a braçadeira de capitão, foi o principal alvo da ira da torcida. E com razão. Como pode um jogador, que segundo notícias tem negociações em andamento com o Palmeiras, entrar em campo com a cabeça no lugar?
A torcida não perdoa. Nas redes sociais, o sentimento era unânime: ‘Não tem que jogar’. É um recado direto. A camisa do Botafogo é sagrada, pesada, e exige 100% de comprometimento. A Estrela Solitária não pode ser defendida por quem, talvez, já esteja com o pensamento em gramados verdejantes de um rival. A atuação apática de alguns em campo só joga mais lenha na fogueira dessa desconfiança. Um jogador negociando sua saída não pode ser capitão. É um tapa na cara de cada botafoguense.
Ver nosso time sofrer em campo enquanto um dos seus, supostamente, planeja o futuro em outro lugar é uma das dores mais agudas que um torcedor pode sentir. É a quebra de um pacto sagrado entre atleta e clube. A performance em campo se torna secundária; a lealdade é o que está em jogo.
A Escalação do Glorioso e as Escolhas do Técnico
O técnico Franclim Carvalho tentou mexer no time, buscando uma formação que pudesse segurar o ímpeto da Chapecoense. Uma das decisões mais sentidas foi deixar Allex Telles, uma das referências técnicas do nosso elenco, no banco de reservas. Uma escolha ousada, talvez até questionável, que certamente será debatida por dias a fio pelo povo do Fogão.
Com a ausência de Ferraresi, o zagueiro Bastos ganhou uma nova oportunidade e retornou ao time titular, formando a dupla de zaga com o próprio Barboza. A aposta, ao menos no primeiro tempo, não surtiu o efeito desejado. O sistema defensivo pareceu perdido, vulnerável, e pagamos um preço altíssimo por isso.
O Glorioso foi a campo com a seguinte formação:
- Goleiro: Neto
- Defensores: Vitinho, Bastos, Barboza (C), Marçal
- Meio-campistas: Edenilson, Medina, Danilo, Montoro
- Atacantes: Júnior Santos, Arthur Cabral
O Peso dos Desfalques e o Caminho da Superação
Não se pode ignorar que o time também sofre com ausências importantes. A falta que Matheus Martíns faz no ataque é sentida a cada partida. O jovem atacante, que sofreu um estiramento muscular no duro empate contra o Atlético-MG, é uma peça que adiciona velocidade e imprevisibilidade, qualidades que pareceram faltar em Chapecó.
Mas desfalques fazem parte do futebol. A grandeza de um clube como o Botafogo se mede justamente na capacidade de superar adversidades. O que a torcida alvinegra exige, e sempre exigirá, é entrega. É ver em campo onze guerreiros dispostos a honrar a nossa história, a nossa Estrela Solitária.
O primeiro tempo foi um desastre. Uma tragédia anunciada pela displicência e pela polêmica extracampo. Agora, resta saber se haverá força, vergonha na cara e, acima de tudo, amor à camisa para reverter essa situação. Porque, para nós, torcedores, o Botafogo é isso aí: uma montanha-russa de emoções onde a esperança, mesmo ferida, nunca morre.
Informações com base em reportagem do www.lance.com.br.