O SANGUE DE GARRINCHA! Neto do Anjo revela joia do Fogão e critica futebol moderno: ‘Acabaram com a arte’

O legado do maior de todos vive! Conheça Luiz Bastos, neto de Garrincha, que descobriu Matheus Martins e luta para que a magia do futebol não se perca.

Matheus Martins com Luiz Bastos, neto de Garrincha — Foto: Arquivo Pessoal

A Chama Eterna de um Ídolo Imortal

Existem lendas que o tempo não apaga. Existem magias que transcendem a vida. Manuel Francisco dos Santos, nosso eterno Garrincha, o Anjo das Pernas Tortas, partiu há 43 anos, mas sua alma, sua ginga e seu espírito indomável seguem vivos. E não apenas na memória saudosa da torcida alvinegra, mas no sangue. O legado do maior ponta-direita da história do futebol pulsa forte em seu neto, Luiz Bastos, um homem que carrega a responsabilidade e a honra de dar continuidade à genialidade da família no esporte que meu avô reinventou.

Luiz não enverga a camisa 7 dentro das quatro linhas como seu avô, mas sua contribuição é igualmente preciosa. Ele é um captador de talentos, um garimpeiro de joias raras para as categorias de base. Sua missão? Encontrar os próximos craques que farão a alegria das arquibancadas, e o coração do torcedor botafoguense se enche de orgulho ao saber que um dos nossos atuais talentos foi lapidado por esse olhar herdeiro da mística alvinegra.

O Legado da Estrela Solitária no Sangue

A jornada de Luiz Bastos no futebol é uma história de resiliência, digna do DNA que carrega. Ele tentou a carreira de jogador, um sonho que persegue tantos meninos. O destino, no entanto, lhe reservava um papel diferente, talvez mais crucial. Sem o sucesso esperado nos gramados, ele não desistiu do esporte que era sua herança.

O futebol o abraçou de outra forma. Guiado por figuras de peso como Cacá Ferrari, ex-atleta e assessor de Ronaldo Fenômeno, Luiz encontrou sua verdadeira vocação. Foi com Ferrari que ele iniciou sua trajetória como observador técnico. Em entrevista ao portal ge, ele também cita com gratidão os nomes de Ricardo Rocha e Roberto Carlos, tratando-os como verdadeiros “padrinhos” que o ampararam nessa caminhada.

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Ser neto de Garrincha, claro, abriu portas. Mas é o talento e a dedicação que as mantêm abertas. O trabalho de um captador é árduo, uma peregrinação por todo o Brasil e América do Sul em busca daquele brilho diferente no olhar de um garoto. No momento da reportagem, por exemplo, Luiz estava na Toca da Raposa I, CT da base do Cruzeiro, acompanhando a BH Cup sub-14, onde três atletas agenciados por ele defendiam as cores do América-MG. É a prova de que o trabalho não para.

O Olho Clínico que Encontrou um Talento para o Fogão

E aqui, torcedor do Fogão, a história toca diretamente o nosso coração. O primeiro grande talento que Luiz Bastos apontou para o mundo do futebol veste hoje a nossa camisa sagrada: Matheus Martins. Aquele mesmo que nos enche de esperança com seus gols e dribles.

Luiz encontrou Matheus quando o garoto tinha apenas 12 anos. Viu nele a centelha do craque e o encaminhou para a formação em Xerém, a base do Fluminense. A partir dali, o destino estava traçado. Nas palavras emocionadas do próprio neto de Garrincha: “O Matheus só foi crescendo, só foi desenvolvendo a cada dia mais. E hoje em dia, graças a Deus, se encontra no profissional, fazendo seus gols pelo nosso Fogão e obtendo sucesso na carreira.”

A gratidão é imensa. “É muito gratificante… é um trabalho lá de trás e que a gente consegue manter até hoje”, revelou Luiz, que mantém uma relação próxima com o jogador. “Minha relação com ele é uma relação de amigos, somos muito próximos, é uma pessoa na qual eu tenho muito respeito, muito carinho, não só por ele, por sua família.” Saber que um dos nossos foi descoberto pelo herdeiro do nosso maior ídolo é poesia pura. É a Estrela Solitária conectando gerações.

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A Descoberta de JP e a Conexão com o Rival

O faro para o talento de Luiz Bastos não se restringe ao nosso Glorioso. Outro jogador de destaque que passou por seu crivo foi JP, meia que hoje, aos 21 anos, atua pelo Vasco. A história de sua descoberta revela o método quase artesanal e a sensibilidade do captador.

Luiz o encontrou também aos 12 anos, através de vídeos que o pai do menino postava no Instagram. “Aquilo ali foi me chamando atenção”, contou. O contato foi direto e movido por um propósito maior. “Eu entrei em contato e perguntei, dessa forma: ‘menino, qual o seu sonho?’, e ele falou ‘meu sonho é jogar no Vasco’. Aí eu falei na mesma hora: ‘então tu vai vir jogar no Vasco'”, relembrou Luiz. Uma promessa feita e cumprida, mostrando que, para além das rivalidades, a realização de um sonho é a matéria-prima do futebol.

“Estão Acabando com a Arte”: A Crítica ao Futebol Moderno

Mas a parte mais contundente, a que ecoa o espírito anárquico e genial de Garrincha, vem na análise de Luiz sobre o perfil do jogador moderno. Questionado pelo ge se seu avô, baixo e de pernas tortas, teria espaço na captação de hoje, a resposta foi imediata e apaixonada: “Apostaria. Pô, disparado, disparado.”

A partir daí, ele desfia uma crítica poderosa. “É isso que a gente fica imaginando, né, cara? Eu acho que estão acabando um pouco com a arte do futebol, sabe? Porque hoje eles querem, eles estão exigindo muita força, muito menino forte.” A preocupação é nítida. O jogador que ousa, que parte para cima, o franzino e habilidoso, está perdendo espaço para o atleta de força.

“Aquele menino que vai pra cima, que tem um contra um muito bom, o menino que é franzino, que é rápido, que vai dentro, ele acaba perdendo pra esse menino que tem muita força. Então, a magia do futebol de antigamente, ela acaba se perdendo um pouco.” É um lamento que todo botafoguense que viu a magia em preto e branco entende. É a defesa do futebol-arte, do drible desconcertante, da alegria. A defesa do legado de Garrincha. E é um alento saber que seu próprio neto luta para que essa magia não morra.

Informações com base em reportagem do ge.globo.com.