Vestir o manto sagrado do Botafogo é uma honra que transcende fronteiras, mas também um desafio monumental. Para um jogador que cruza o oceano ou a divisa de um país vizinho, não é apenas o futebol que muda. É a vida. E nos corredores de General Severiano, uma força silenciosa e poderosa garante que a Estrela Solitária brilhe para todos: uma verdadeira família alvinegra.
Em um elenco com nada menos que 12 estrangeiros, a adaptação poderia ser um caos. Mas no Glorioso, ela se tornou uma arma. Os meias Montoro e Medina, em entrevistas reveladoras, abriram o jogo e mostraram como o clube forjou uma rede de apoio que explica muito da união que vemos em campo.
A ‘Ligação’ que Une Mundos: O Anjo da Guarda dos Estrangeiros
Por trás de cada sorriso de um ‘gringo’ recém-chegado, há um trabalho invisível e fundamental. O Botafogo conta com uma profissional especializada, Mayara Bordin, que atua como ‘liaison’ — uma palavra francesa que significa ligação. E é exatamente isso que ela é: a ponte que conecta os atletas estrangeiros ao clube e à sua nova vida no Rio de Janeiro.
Desde o primeiro contato, passando pela busca de uma casa, uma escola para os filhos ou um curso de português, Mayara é o elo que transforma a incerteza da mudança em segurança. Ela é a personificação do acolhimento que só um clube com a alma do Botafogo sabe oferecer, garantindo que a única preocupação dos nossos guerreiros seja honrar nossa camisa dentro das quatro linhas.
Medina Abre o Coração: ‘Ter Argentinos e Uruguaios Ajuda Muito’
Para o volante argentino Medina, a vinda para o Fogão foi um salto no escuro. Foi a primeira vez que ele deixou seu país. O medo e a solidão poderiam ter sido adversários cruéis, mas ele encontrou um vestiário que falava a sua língua, literalmente.
A forte presença de jogadores que falam espanhol foi um divisor de águas. Nas palavras do próprio Medina, a adaptação se tornou mais simples. ‘São muitos gringos. Na verdade, isso ajuda muito. Você se adapta mais facilmente ao grupo e também ao idioma’, confessou o jogador. ‘É a primeira vez que eu saio do país, da Argentina também. Ter argentinos e uruguaios ajuda. Estava o Chris (Ramos), que é espanhol, está o Jordan (Barrera), que é colombiano. São muitos que falam espanhol. Isso facilita muito’, afirmou o volante, exaltando a irmandade latina que pulsa no coração do elenco.
A Bênção dos Capitães: Montoro Exalta Alex Telles e Marçal
Se a união dos ‘gringos’ é fundamental, a integração com os líderes brasileiros é o que sela o pacto de família. O jovem camisa 10, o argentino Montoro, de apenas 19 anos, fez questão de destacar o papel vital das referências do elenco, como os capitães Alex Telles e Marçal.
Para o garoto, a aprovação e o acolhimento desses jogadores experientes são o que realmente o fizeram se sentir em casa. ‘Os brasileiros também são muito importantes para a gente quando somos novos. Os capitães, o Alex, o Marçal’, explicou Montoro. ‘Quando você chega a um clube novo, o cara que está há muito tempo, que é uma referência, como se fala na Argentina, que é histórico no clube, é muito importante. É importante ter a aprovação deles, que falem bem de você. Chegar bem com eles é bom’, detalhou o meia, mostrando uma maturidade impressionante e reconhecendo também a ajuda de estrangeiros mais antigos, como Mateo Ponte.
Uma Legião Estrangeira com a Estrela no Peito
O Botafogo hoje é um clube global. A legião estrangeira que defende nossas cores é vasta e talentosa, e essa união é a prova de que a mística alvinegra não tem nacionalidade. Além de um grupo de WhatsApp para facilitar a comunicação e integrar os novatos, a convivência diária fortalece os laços.
O elenco conta com os seguintes guerreiros de fora do Brasil:
- Zagueiros: Ferraresi (Venezuela), Bastos (Angola)*, Lucas Monzón (Uruguai)
- Laterais: Mateo Ponte (Uruguai)
- Meio-campistas: Medina (Argentina), Santi Rodríguez (Uruguai), Montoro (Argentina), Kadir (Panamá), Domingos Andrade (Angola)
- Atacantes: Barrera (Colômbia), Villalba (Uruguai), Joaquín Correa (Argentina)*
(*Bastos e Joaquín Correa, segundo a reportagem, estão fora dos planos do técnico Franclim Carvalho, mas fazem parte deste grupo multicultural).
Essa união, essa mistura de culturas sob o mesmo manto sagrado, é o que faz do Botafogo um clube diferente. Não se trata apenas de contratar jogadores; trata-se de construir uma família. E com essa base sólida fora de campo, a torcida alvinegra pode sonhar com a glória que tanto merece. Porque quando o vestiário é forte, o time se torna imbatível.
Informações com base em reportagem do ge.globo.com.