A Estrela Solitária parecia ter encontrado um momento de paz. A novela envolvendo Danilo e o Palmeiras, que se arrastou por meses, teve seu capítulo final escrito na última quinta-feira. Mas no universo do Botafogo, a calmaria é apenas o prelúdio de uma nova tempestade. E desta vez, o trovão veio de um post do próprio jogador, e o raio da resposta veio na forma de uma fúria incontida do influenciador Pedro Certezas.
Quando Danilo pisou no gramado sagrado do Nilton Santos contra o Vitória, ele não estava apenas jogando mais uma partida. Aquele era seu 13º jogo pelo Brasileirão, um número cabalístico que selava seu destino: por regulamento, ele não poderia mais vestir outra camisa na Série A deste ano. A ambição de Leila Pereira e do Palmeiras morria ali, na relva de General Severiano. Fim de papo. Ou assim pensávamos.
O que se seguiu, no entanto, foi um ato que incendiou as redes sociais e deixou a torcida alvinegra em polvorosa. Em uma publicação, Danilo declarou ter cumprido a vontade do Botafogo ao entrar em campo, mas cobrou que sua própria vontade — a de não ser negociado com o futebol russo — também fosse respeitada. A frase caiu como uma bomba, e para Pedro Certezas, foi a gota d’água.
“Conseguiu emputecer os dois clubes”
A reação de Certezas foi imediata e visceral. Conhecido por não ter papas na língua, o criador de conteúdo não perdoou a atitude do meio-campista do Glorioso, classificando a declaração como uma insanidade e mandando um recado curto e grosso.
Nas palavras do influenciador, a postura do jogador foi um desastre de relações públicas: “Dito isso, rala! Maluco conseguiu emputecer o clube que o revelou (Palmeiras) e o clube em que joga agora (Botafogo), que loucura. Gestão de carreira fera”, disparou Certezas.
A crítica é pesada e ecoa um sentimento de perplexidade em parte da torcida. Como pode um jogador, no exato momento em que o clube bate o pé para mantê-lo, recusando uma proposta histórica, vir a público com uma mensagem de tom tão dúbio? A fala de Certezas aponta para uma ingratidão percebida, um desalinhamento entre o atleta e a instituição que o abraçou.
A proposta de R$ 161 milhões que o Fogão recusou
Para entender a dimensão do drama, é preciso olhar para os números. O Botafogo não fez pouco para segurar Danilo. A diretoria alvinegra resistiu a uma pressão financeira e midiática gigantesca vinda do rival paulista. A última investida do Palmeiras foi nada menos que astronômica.
O clube de Leila Pereira colocou na mesa 28 milhões de euros, o que na cotação atualizada equivale a impressionantes R$ 161 milhões. Este valor não apenas seria uma venda recorde para o Fogão, mas transformaria Danilo na maior contratação da história do Palmeiras, superando os 25,5 milhões de euros pagos por Vitor Roque.
A saga começou ainda no primeiro semestre. A primeira oferta foi de 20 milhões de euros mais os direitos do zagueiro Naves, que acabou indo para o Necaxa, do México. Mesmo diante da crise financeira que assombrava General Severiano, a diretoria do Glorioso se manteve firme. A aposta era clara: o potencial de Danilo, valorizado por uma convocação para a Copa do Mundo (ainda que sem minutos sob o comando de Carlo Ancelotti), poderia render uma negociação ainda mais vantajosa com o mercado europeu.
O xeque-mate da Estrela Solitária
A decisão de colocar Danilo em campo contra o Vitória foi um movimento estratégico, um xeque-mate na insistência do Palmeiras. Ao completar 13 jogos, o jogador se tornou inelegível para atuar por outro time na Série A. Uma eventual transferência para o alviverde só permitiria que ele jogasse a Libertadores e a Copa do Brasil, o que inviabilizou completamente o negócio para os paulistas.
O Botafogo jogou com o regulamento debaixo do braço para proteger seu ativo e encerrar a novela que já havia nos tirado o volante Marlin Freitas no início do ano. A diretoria fez sua parte. Defendeu os interesses do clube, segurou uma peça importante e frustrou um rival que vinha se especializando em pescar em nosso aquário.
A questão é que, após toda essa batalha, a declaração de Danilo soa como um tiro no pé. Em vez de celebrar a permanência e o apoio do clube, o post gerou uma crise desnecessária. Agora, o futuro segue em aberto. A janela internacional fecha apenas em 11 de setembro, e uma venda para o exterior ainda é uma possibilidade real.
Mas a pergunta que fica para o povo do Fogão é: e o comprometimento? Depois de uma declaração que irritou a própria torcida, qual o clima para Danilo seguir vestindo a camisa mais gloriosa do futebol? O tempo dirá, mas a mística alvinegra exige entrega total. E a paciência da torcida, como bem mostrou Pedro Certezas, tem limite.
Informações com base em reportagem do www.lance.com.br.