Nossos Crias Sumiram: Franclim Carvalho ‘apaga’ a base no Botafogo

A chegada de Franclim Carvalho mudou tudo no Fogão. Os crias que brilharam no início do ano perderam espaço para os 'medalhões'. Entenda a nova política.

Franclim Carvalho em Botafogo 2 x 2 Internacional, pelo Brasileirão 2026 — Foto: Vitor Silva/BFR

Onde estão os garotos que nos deram esperança?

No início de um ano que já nasceu turbulento, com o fantasma do transfer ban assombrando General Severiano, uma luz surgiu da nossa própria casa. Eram os rostos jovens, os garotos da base, que vestiram a camisa alvinegra com a coragem que faltava a muitos. Sob o comando de Martín Anselmi, vimos Justino, Kadu, Caio Valle, Gabriel Abdias e Arthur Novaes suarem pelo nosso escudo. Mas a Estrela Solitária, que parecia brilhar para eles, mudou de direção. Com a chegada do técnico Franclim Carvalho, um véu de esquecimento parece ter coberto nossos talentos.

A pergunta que ecoa no coração de cada botafoguense é dolorosa e direta: o que aconteceu com a nossa base? Aqueles que foram a solução em um momento de crise, agora parecem ser um problema a ser descartado. A nova filosofia é clara, e ela prioriza o que vem de fora, o “medalhão”, em detrimento do DNA glorioso que corre nas veias desses meninos.

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Franclim Carvalho em Botafogo 2 x 2 Internacional, pelo Brasileirão 2026 — Vitor Silva/BFR

A vitrine de Anselmi: um passado recente, mas distante

É preciso ter memória. No começo da temporada, o técnico argentino Martín Anselmi, diante da impossibilidade de inscrever reforços, não teve medo de olhar para dentro. Segundo dados do portal Gato Mestre, ele utilizou um total de 46 jogadores, um rodízio intenso que abriu as portas do time principal. Foi nesse cenário que cinco crias se destacaram como os mais utilizados, ganhando minutos preciosos e mostrando seu valor no Campeonato Carioca.

Anselmi usou o estadual como um verdadeiro laboratório, poupando titulares e dando cancha para a garotada. Era a promessa de um futuro sendo construída diante dos nossos olhos. Mesmo com a queda do transfer ban e a chegada gradual dos reforços, o processo parecia ser de uma transição suave. Mas a troca no comando técnico foi um golpe duro nas aspirações desses jovens.

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A filosofia de Franclim: experiência acima de tudo

Com Franclim Carvalho, o cenário mudou da água para o vinho. Em seus sete jogos à frente do Glorioso, a porta para a base se fechou quase que completamente. Dos jovens que brilharam com Anselmi, o silêncio. Apenas um nome se tornou a exceção que confirma a regra: Kadir. O jovem panamenho, que mal teve chances com o técnico anterior, encontrou espaço com o português.

Os números são frios e revelam a nova política. Franclim relacionou 30 atletas até agora e usou 26. Desses, Kadir foi o único jogador vindo da base a efetivamente entrar em campo, participando de seis das sete partidas. Enquanto isso, nomes como Huguinho, Justino e Kadu até foram relacionados para o banco em pelo menos uma ocasião, mas não saíram de lá. A mensagem é clara: a prioridade é outra. A aposta agora é em nomes como Barboza, Danilo, Arthur Cabral, Matheus Martins e Ferraresi, os cinco atletas com mais minutos sob o novo comando.

A única exceção: por que só Kadir?

O caso de Kadir é curioso. O jovem, que já havia sido relacionado por Bellão no jogo contra o Vasco, justamente antes da chegada de Franclim, foi mantido no elenco profissional e agarrou a oportunidade. Sua ascensão contrasta diretamente com o ostracismo dos seus companheiros de base, mostrando que a decisão do treinador não é um veto total, mas uma escolha seletiva e rigorosa por um perfil específico de jogador.

Essa escolha, no entanto, deixa um gosto amargo. Por que o talento que serviu em um momento de aperto, agora é visto como imaturo? A torcida alvinegra se pergunta se a solução para os nossos problemas está apenas em jogadores experientes ou se estamos, mais uma vez, desperdiçando o futuro que floresce em nossos próprios campos.

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A justificativa oficial e o futuro imediato

De acordo com apuração do portal ge, a comissão técnica de Franclim Carvalho tem uma explicação para essa mudança drástica. O objetivo é trabalhar com um elenco mais enxuto e, principalmente, apostar em jogadores mais experientes para atravessar o “momento conturbado” que o clube vive. Não por acaso, os jovens que estavam integrados ao time principal desde o início do ano foram, em sua maioria, devolvidos às categorias de base.

Para o próximo confronto do Fogão, neste sábado, contra o Remo, pelo Brasileirão, a lista de relacionados confirma a tendência. Apenas dois representantes da base estarão com o grupo: Kadu e o onipresente Kadir. É a nova realidade do Botafogo. Resta saber se essa aposta na experiência trará os resultados que tanto precisamos ou se, no futuro, lamentaremos por não ter cultivado as sementes que nós mesmos plantamos.

Informações com base em reportagem do ge.globo.com.